Uma foca bebé robô veio animar os dias de um grupo de idosos com demência num lar de Hong Kong. O robô chama-se «Paro» e está programado para replicar um animal verdadeiro. E não há nada de artificial na alegria que trouxe ao centro social.

A Paro (o nome é um diminutivo de personal robot/robô pessoal) é controlada por sensores integrados que respondem ao toque, à luz, à temperatura e ao som, imitando alguns dos comportamentos das focas a sério. A assistente social do Centro Social Luterano de Hong Kong garante que a Paro tem tido efeitos surpreendentemente positivos.

«Normalmente tratamos as pessoas com demência estimulando-lhes os sentidos, com coisas como lâmpadas de plasma ou materiais com diferentes texturas. A Paro consegue puxar pela audição e pelo tato. Além disso, e graças à sua aparência, estabelece uma relação com os mais idosos, tornando a terapia menos aborrecida. E também os ajuda a recordar o passado, e as experiências de quando tomavam conta de animais ou crianças», relata Chester Cheung, assistente social.

E foi exatamente isso que a Paro conseguiu com Lee Yau Fong, de 84 anos, um paciente a quem foi diagnosticada uma ligeira demência e depressão. «A Paro? Claro que gosto dela... como não? Não é? Mimo-a ainda mais do que antigamente mimava o meu cão. Mimo-a mesmo muito. É, não é? Não é?», interroga o paciente.

A ideia da terapia com animais, que normalmente recorre a cães, é melhorar o desempenho social, emocional ou cognitivo do paciente. Mas a diretora do serviço de geriatria do Hospital Shatin, Elsie Hui, não tem dúvidas: os robôs são mais convenientes e económicos. «Aqui no hospital temos animais voluntários que vêm visitar os pacientes aos domingos. Mas eles dão trabalho. Têm de ser treinados, normalmente precisam do dono por perto, e temos de tomar conta deles», refere.

Mais de oitenta por cento dos pacientes diz que se sente mais feliz depois de brincar com a Paro.

«Muitos idosos ficam por aí sentados, sem nada para fazer. A Paro parece ser o estímulo certo para os fazer interessar-se pelo que os rodeia e até talvez para se relacionarem entre eles. A Paro ajuda a quebrar o gelo. Se a juntarmos ao grupo as pessoas começam a falar dela, ou a interagir. Ou seja, ela alarga as atividades sociais», explica Elsie Hui.

O aparelho vale cerca de 6 mil dólares, qualquer coisa como 4 mil e trezentos euros, e começou a ser vendido em 2004, depois de dez anos de desenvolvimento. Atualmente a Paro está a ser testada em hospitais e lares de todo o Mundo, em países como a Suécia, a Itália, a França e os Estados Unidos.

Depois de um dia de trabalho, o robô tem de ser carregado. Mas os residentes garantem que, mesmo a dormir, a Paro está aprovada.