Um consórcio liderado por uma empresa portuguesa desenvolveu um plástico biodegradável que substitui as películas de polietileno utilizadas para cobrir solos agrícolas, com benefício para as culturas e para o ambiente.

As informações foram divulgadas esta quarta-feira pela Comissão Europeia(CE.

Em comunicado, a CE explica que o produto desenvolvido pela Agrobiofilm, promete revolucionar a agricultura, ao substituir os plásticos para cobertura de solos. Embora estes plásticos sejam essenciais para o sucesso da agricultura, têm impactos ambientais significativos durante e após o ciclo da cultura, por serem derivados do petróleo.

Além disso, por terem de ser removidas e encaminhadas para centros de recolha, as películas de polietileno obrigam os agricultores a custos acrescidos.

Desenvolvido ao longo dos últimos três anos por um consórcio liderado pela portuguesa Silvex, o plástico biodegradável agora apresentado pela CE apresentou benefícios, «não só em termos ambientais, como ao nível do rendimento das culturas que, em alguns casos, foi superior ao registado com o plástico de polietileno».

Este plástico biodegradável é composto de amido de milho e óleos vegetais e foi testado nas culturas de morango, de melão e de pimento, podendo ser utilizado em outras culturas com características semelhantes.

Foi também testado na vinha, tanto como alternativa ao polietileno, como ao solo nu e aos tubos de proteção e crescimento.

Os resultados mostram que a qualidade dos frutos não apresentou diferenças significativas, enquanto na vinha se registou um aumento significativo da expressão vegetativa das videiras, com mais raízes e de maior peso do que as plantadas em polietileno e em solo nu.

O Agrobiofilm, que teve um investimento total de cerca de 1,5 milhões de euros, já começou a ser comercializado em Portugal, Espanha e França e destina-se maioritariamente a agricultores profissionais, podendo também ser utilizado em pequenas hortas ou jardins.

A Silvex é uma das 225 pequenas e médias empresas portuguesas (PME) que beneficiaram do financiamento de investigação da UE desde 2007, num total de 305 milhões de euros.

Até ao final de 2013 a União Europeia terá apoiado 15 mil PME que receberam apoios superiores a cinco mil milhões de euros.