O tubarão da Gronelândia, um dos maiores tubarões do mundo, é o vertebrado mais velho da Terra, podendo viver até aos 400 anos.

Um estudo publicado na edição desta sexta-feira da revista Science mediu a idade de vários tubarões da Gronelândia (Somniosus microcephalus) capturados por acaso na pesca. Um deles tinha 5,02 metros de comprimento e terá vivido 392 anos.

“Os nossos resultados mostram que o tubarão da Gronelândia é o vertebrado que mais vive”, lê-se no artigo escrito por John Steffensen, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e por colegas.

Já há muito tempo que havia informação sobre o tubarão da Gronelândia que fazia suspeitar da longevidade anormal da espécie que deambula pelas águas do Ártico, é encontrada a profundidades entre 132 e 1200 metros, e tudo leva a acreditar que é um predador de topo, visto que já se encontraram focas no estômago destes peixes.

O crescimento lento, cerca de um centímetro por ano, contribui para a vida excecionalmente longa destes tubarões, superando outros centenários conhecidos do mundo animal, como a baleia da Gronelândia e a tartaruga das Galápagos.

Na verdade, sabe-se de apenas uma espécie de molusco, um bivalve da espécie Artica islandica, que vive mais tempo, de acordo com o estudo.

"A expetativa de vida do tubarão da Gronelândia só é superada pela do Ming (507 anos)".

O estudo baseou-se em técnicas de datação por radiocarbono. Para obter amostras do cristalino do olho daqueles animais, a equipa analisou 28 fêmeas de tubarão da Gronelândia pescadas acidentalmente ao largo dessa ilha, entre 2010 e 2013.

As 28 fêmeas mediam entre 81 centímetros e 5,02 metros. A idade média para o tubarão mais comprido foi de 392 anos, com uma janela superior e inferior de 120 anos. Por isso, num cálculo cauteloso, aquela fêmea teria uma idade mínima de 272 anos – o que equivaleria, numa pessoa, a ter nascido em 1744. 

Os tubarões da Gronelândia são os maiores peixes nativos das águas do Ártico e demoram muito tempo para atingir a maturidade sexual: as fêmeas atingem a maturidade sexual aos 156 anos, quando têm cerca de quatro metros, e os tubarões com menos de três metros ainda não são centenários, de acordo com o artigo.

O próximo passo do estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Copenhaga será etiquetar indivíduos para os seguir por satélite e conhecer a área que habitam.

Os co-autores do estudo são do Instituto de Recursos Naturais da Gronelândia, do Aquário Nacional da Dinamarca, da Universidade do Ártico da Noruega, da Universidade de Indiana South Bend, da Universidade de Oxford e do Instituto de Ciência Marinha de Virgínia.