A maior produtora mundial de carne de porco está muito atenta aos avanços da Ciência. Mesmo que os órgãos deste animal ainda não sejam utilizados para transplantes em humanos, há investigadores a darem passos importantes nesse sentido. Uma oportunidade de negócio que não parece escapar à Smithfield Foods.

Segundo a Reuters, esta empresa criou uma unidade à parte que já fornece partes dos 16 milhões de porcos que abate todos os anos para fins clínicos. A longo prazo, o objetivo é vender órgãos deste animal para transplantes em humanos - os chamados xenotransplantes. 

“Queremos dar o sinal à comunidade médica e científica que esta é uma área em que estamos focados”, disse à mesma agência Courtney Stanton, vice-presidente desta unidade de biociência.

Está provado que os porcos têm órgãos muito semelhantes aos dos humanos: por exemplo, no momento do abate, o coração de um porco é praticamente do mesmo tamanho de um coração de um adulto. Também os rins, o fígado e os pulmões deste animal estão a ser avaliados para possíveis xenotransplantes.

O problema é que, até agora, estes transplantes falharam devido a diferenças genéticas que causaram a rejeição do órgão ou devido a vírus que aumentaram o risco de infeção. Mas há quem esteja a trabalhar muito para ultrapassar essas dificuldades.

Um professor de genética na Faculdade de Medicina de Harvard, George Church, criou uma técnica de edição genética que pode eliminar os genes potencialmente nocivos, abrindo assim caminho para uma diminuição da rejeição e dos vírus.

Este especialista criou uma empresa, a eGenesis Bio, que está também a evoluir na investigação com vista à obtenção de animais geneticamente modificados. O primeiro ensaio clínico do género deve ser realizado ainda este ano.

Smithfield Foods [Foto: Reuters]

A representante da Smithfield Foods não exclui a criação de animais geneticamente modificados, mas o primeiro passo da empresa será a descelularização dos órgãos de porco, ou seja, a retirada das células do dador e a colocação de células do paciente humano.

Segundo a mesma fonte, o mercado norte-americano de carne de porco para fins médicos, comida para animais e outros fins não-alimentares é já de mais de 100 mil milhões de euros.

A maior produtora mundial de carne de porco está já a preparar acordos de fornecimento de órgãos deste animal com duas entidades, embora não revele quais.

“Há um enorme potencial e é essencial estar na vanguarda”, concluiu a mesma vice-presidente.

Só nos Estados Unidos, 22 pessoas morrem por dia, em média, enquanto esperam por um transplante.