Um estudo em que participou o investigador Tiago Reis Marques, publicado na revista Brain, demonstrou que os doentes com Parkinson têm níveis reduzidos de uma importante enzima cerebral, a fosfodiesterase 10A (PDE10A), o que pode conduzir a novos tratamentos.

“Ainda mais relevante foi verificar que a redução nesta enzima estava associada à gravidade dos sintomas motores, bem como à progressão da doença, com aqueles doentes numa fase mais avançada e com sintomas motores mais graves apresentando uma redução ainda maior desta enzima”, lê-se no comunicado que divulga o estudo.


A investigação, que teve o apoio da Fundação Michael J. Fox, foi esta semana publicada na revista de neurologia Brain, e contou com o trabalho de Tiago Reis Marques, médico psiquiatra e investigador português do Instituto de Psiquiatria do Kings College em Londres.

Segundo Tiago Reis Marques, “as fosfodiesterases são uma família de enzimas que se expressam em várias zonas do corpo humano”.

“A fosfodiesterase 10A tem a particularidade de se localizar numa região específica do cérebro, os gânglios da base, onde está envolvida na regulação da dopamina, o neurotransmissor implicado em doenças como a doença de Parkinson e a esquizofrenia”, adiantou.


Os resultados deste estudo “sugerem fortemente que a PDE10A pode ser um potencial alvo para novos fármacos no tratamento da doença de Parkinson”, acrescenta o comunicado.

O estudo foi desenvolvido durante dois anos por um consórcio internacional de neurologistas e psiquiatras que se dedicou a estudar a enzima PDE10A em várias doenças psiquiátricas e neurológicas, como a esquizofrenia, a doença de Parkinson e a doença de Huntington.

“Para observar a enzima PDE10A, os investigadores recorreram a uma técnica de Medicina Nuclear, através da qual injetaram nos doentes uma substância radioativa com a capacidade de se ligar especificamente a esta enzima e, assim, a visualizar e quantificar”.


Os resultados mostraram “uma redução da PDE10A entre 14 a 28% quando comparado com indivíduos saudáveis do mesmo sexo e faixa etária”.

“Apesar de para a grande maioria das pessoas uma enzima como a fosfodiesterase nada significar, o facto é que a construção de fármacos dirigidos a esta família de enzimas tem sido um sucesso”, acrescentou Tiago Reis Marques.