«Quem não está networkado não existe», afirmou Tiago Forjaz, fundador da rede social online «The Star Tracker», em mais um evento do «Career Evenings», organizado esta quinta-feira, na Escola de Gestão do Porto, com o tema «Quanto vale a sua rede de contactos?», presenciado pela TVI 24 online.

A «The Star Tracker» é uma rede social online que tem como função conectar os talentos portugueses espalhados pelo mundo. A missão principal é «reunir a tribo dos portugueses» espalhados pela «diáspora portuguesa». Este projecto tem como objectivo criar um fluxo de troca dos valores de cada utilizador e rentabilizar as suas mais-valias com a ajuda de uma rede de contactos à escala planetária para assim «liberalizar o mercado».

Tiago Forjaz acredita que o futuro do nosso país está nesta geração de talentos, mas para isso «o dinheiro não pode ser um denominador comum, é preciso ter talento». O «The Star Tracker» tenta fazer a ponte entre o talento e a sua aplicação, tendo o «networking» como catalisador.

O autor do projecto define «networking» como sendo «um sistema referenciador» ou então «como se dizia no século XVIII, significa simplesmente ajudar».

Oportunidades de carreira

Em conversa com a TVI 24 online, no final da palestra, questionado sobre os resultados efectivos desta rede de contactos, Tiago Forjaz afirma que há «um conjunto de pessoas que conseguiram arranjar oportunidades de carreira internacional, através do «The Star Tracker», única e exclusivamente através do poder da rede». Já ajudou, também, «o Presidente da República a encontrar empreendedores inovadores em toda a diáspora»

A rede também permitiu «levantar 14 mil euros para pagar as propinas àquele que é considerado o bailarino mais talentoso do mundo, o Telmo Moreira, que tem 14 anos».

Mas em questões de financiamento de projectos a única ajuda que dão é a «resolver o contacto, depois há pessoas dentro do «The Star Tracker» que andam à procura de financiar projectos, de construir ideias para colaborar ou empreender, mas estão dentro de grupos dentro da rede social».

25 mil ligados

«O Star Tracker é uma rede social de nicho» que conta com 25 mil «portugueses talentosos» inscritos, espalhados por 124 países, «que o que fazem é utilizar uma plataforma de colaboração para criar valor e alterar a percepção da sua marca e da marca do país».

Opera num sistema «de rede fechada, que funciona por convite. Alguém na rede tem que considerar que aquele que quer entrar tem algum talento, para que possa ser incluído na rede»

Tiago Forjaz considera que «em Portugal, a sociedade ainda não conhece suficientemente bem o conceito de talento para assumir que vale a pena estar numa rede onde o denominador comum é o talento. As pessoas ainda acham que talento é ter um bom cargo ou um bom curriculum».

Este secretismo à volta do acesso a esta rede, para além de ser uma forma de se demarcar das outras redes sociais, é também um «truque de marketing e pedagógico, porque quem convida acaba por ter que explicar quais são as regras de funcionamento da rede, e é também uma forma de garantir que o crescimento não é exponencial, mas depois morre tão depressa como cresceu».

O que se pretende é «construir um circuito que crie dinamismo entre as pessoas que estão cá em Portugal e os que estão lá fora. Nós não apregoamos nem que os melhores são os que estão lá fora, nem que todos deviam voltar ou que todos deviam sair, o que dizemos é que esta realidade devia estar toda conectada para criar valor. Estas pessoas acabam por conseguir colaborar e conseguir criar todo o valor individual que eles precisam, mas também estão lá ao dispor de uma convocação geral para fazer alguma coisa de bom para o seu país».

Todo o valor individual que se liberta «no fundo vem reforçar a identidade do português e da entreajuda que se estabelece entre eles e a isso chama-se, também, networking».