A descoberta de uma enorme cratera na península de Taymyr, na Sibéria, Rússia, em 2013, intrigou os cientistas e os habitantes locais, tendo estes últimos atribuído a responsabilidade para o buraco com uma profundidade estimada de 100 metros a extraterrestres ou mísseis. Agora, novas informações da população que vive a cerca de 70 a 100 quilómetros revelam novos detalhes para o que pode ter acontecido.

Os habitantes daquela zona do norte da Rússia dizem ter ouvido uma explosão seguida de uma luz forte no céu. No lugar ficou a cratera, que em apenas três anos já cresceu mais de 15 vezes, de cerca de quatro metros de comprimento para cerca de 70, bastante similar a outras situadas a 480 quilómetros, na península de Yamal – região que os locais apelidam de “fim do mundo”.

Há confirmação verbal de residentes de aldeias, localizadas a uma distância de 70 a 100 quilómetros, que falam num som parecido com o de uma explosão, um [habitante] diz ter visto uma luz clara no céu. Isto aconteceu cerca de um mês após a queda do meteorito Chelyabinsk”, afirmou o cientista Vladimir Epifanov, que decidiu investigar a razão para a formação destas crateras.

De acordo com o Siberian Times, a cratera de Deryabinsky, como é conhecida, é agora um lago, depois de o gelo que caiu para o buraco ter derretido.

Uma explicação geralmente aceite entre investigadores sugere que o aparecimento das crateras de Yamal estará relacionado com as alterações climáticas. O subsolo siberiano, ao fundir, liberta metano, que se acumula até à explosão do solo, formando crateras, acrescentou. No entanto, Epifanov tem uma teria diferente para o caso da cratera de Taimyr.

Epifanov propõe que o burcao terá sido formado devido a um processo normal de libertação de gases, em que os hidratos de gás existentes a 500 metros de profundidade possam degradar-se para libertar metano. Isto levaria a que o metano se acumulasse a cerca de 100 metros, causando a explosão.

Esta zona da Rússia, particularmente a península de Yamal, é bastante rica em gás natural, o que reforça a possibilidade de se ter tratado de uma explosão espontânea.