Alguns internautas desconfiaram, mas a maioria não deu por nada e o Facebook ainda menos. Um vídeo transmitido ao vivo na rede social, que supostamente mostrava a Superlua Azul de Sangue, mas que na realidade era uma imagem estática a que foi adicionada o som do vento, foi visto mais de 16 milhões de vezes em quatro horas na quarta-feira. Aparentemente, a fraude não foi detetada pela empresa de Mark Zuckerberg, apesar de alguns utilizadores sublinharem que algo suspeito estava a acontecer, noticia a CNN.

A "transmissão" apresenta uma fotografia fixa da lua sobre o Templo de Poseidon, no sul da Grécia, tirada há nove anos e que a estação de televisão norte-americana CNN descobriu ser da autoria de Chris Kotsiopoulos, um fotógrafo amador. À imagem foi sobreposto um cronómetro com a hora atual e o som do vento foi adicionado na tentativa de fazer com que parecesse um vídeo em direto do fenómeno astronómico raro, que foi visível quarta-feira nos EUA, Ásia, Austrália, Nova Zelândia e nas ilhas do Pacífico.

A transmissão foi publicada numa página do Facebook chamada EBUZZ,  com quase 350 mil seguidores. A página é operada de forma anónima e não oferece forma de contactar os administradores.

O vídeo foi removido da plataforma na tarde de quarta-feira, mas a página EBUZZ continua ativa. O Facebook explicou à CNN que o vídeo foi removido por violar as políticas do site, sem referir por que razão a página em si não foi desativada.

Desconhece-se o motivo pelo qual o vídeo foi falsificado. A CNN coloca a hipótese de os administradores da EBUZZ pretenderem aumentar dessa forma o número de seguidores da página, usando-a para outros fins, como por exemplo direcionar o tráfego para um site que gera dinheiro.

Enquanto alguns utilizadores do Facebook que viram a transmissão ao vivo pareciam ter caído no engodo, comentando sobre o quão bonita era, outros mostraram-se mais céticos.

Estou curioso sobre como é que um feed é ‘ao vivo’ quando a imagem esteve três horas com a lua no mesmo lugar", escreveu um utilizador.

Muitas das pessoas contabilizadas nos 16 milhões de visualizações provavelmente não terão ficado a ver o tempo suficiente para perceber que estavam a olhar para uma imagem estática. O Facebook contabiliza como uma "visualização de vídeo" quando um utilizador fica a ver durante três segundos ou mais, mesmo no feed de notícias da página pessoal.

Na quarta-feira, a agência espacial norte-americana NASA transmitiu em direto o fenómeno da Superlua Azul de Sangue. E aí, sim, os internautas puderam deliciar-se com um retrato verdadeiro do fenómeno que o mundo não via há 152 anos e que é uma combinação astronómica rara que conjuga a superlua com um eclipse.

Esta não foi a primeira vez que um vídeo falso de um acontecimento acumulou milhões de visualizações no Facebook.

Em setembro, durante o furacão Irma, um vídeo que supostamente mostrou um vídeo da tempestade atraiu quase 29,5 milhões de visualizações, embora, na realidade, se tratasse de uma filmagem de abril de 2016, à passagem do tornado Dolores pelo Uruguai.

O alerta foi dado pelo site Mashable, que começou por pegar no exemplo de um vídeo de 30 segundos que, alegadamente, mostrava o furacão Irma a devastar as ilhas de Antígua e Barbuda, nas Caraíbas.

Nas imagens havia um detalhe que denunciava a falta de autenticidade. Bastava uma pesquisa rápida pela site do BBVA para se confirmar que o banco espanhol não tinha agências na linha de destruição do Irma.