O físico Stephen Hawking, que morreu quarta-feira, aos 76 anos, em Cambridge, esteve pela primeira vez em Portugal, em 1963, como estudante, numa reunião científica sobre Cosmologia realizada pelo cientista português António Gião e promovida pela Fundação Gulbenkian.

A primeira passagem por Portugal daquele que acabou por se tornar um dos nomes mais famosos da ciência mundial foi hoje lembrada por Carlos Fiolhais, físico, professor universitário e um dos divulgadores de ciência mais conhecidos em Portugal.

Carlos Fiolhais disse à agência Lusa que a reunião científica de 1963 realizou-se em instalações da Gulbenkian em Oeiras e nela participaram cientistas europeus de renome para discutir assuntos de cosmologia como o Big Bang e o chamado Estado Estacionário (teorias sobre a formação do universo).

Terá sido a presença de conhecidos cientistas alemães e ingleses no evento que levou Stephen Hawking, então com 21 anos, a deslocar-se a Lisboa para assistir à reunião organizada por António Gião e patrocinada pela Gulbenkian.

Carlos Fiolhais adiantou que foi precisamente nesse ano de 1963 que se manifestaram os primeiros sintomas da doença degenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica que atingiu Stephen Hawking e que o deixou confinado a uma cadeira de rodas e tetraplégico.

Cruzeiro em 2014

O físico português recorda ainda que Stephen Hawking regressou a Lisboa em 2014 numa viagem de cruzeiro, com passagem pelo Funchal, cidade onde voltou dois anos mais tarde.

Alguns restaurantes da baixa do Funchal ainda guardam fotografias da presença do físico teórico e cosmólogo.

A última passagem de Stephen Hawking por Portugal foi virtual, através de uma mensagem vídeo difundida na Web Summit Lisboa em 06 de novembro de 2017, em que, manifestando-se preocupado pelo futuro da Humanidade, alertou para os perigos da inteligência artificial.

Apesar de sofrer de esclerose lateral amiotrófica desde os 21 anos, Hawking surpreendeu os médicos ao viver mais de 50 anos com esta doença fatal, caracterizada pela degeneração dos neurónios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos.