Algumas das personalidades mais influentes da área da tecnologia juntaram-se para escrever uma carta, alertando para os perigos das armas autónomas. O manifesto foi apresentado na Conferência Internacional de Inteligência Artificial, em Buenos Aires, na Argentina, e conta com mais de mil assinaturas de especialistas em ciência e robótica, como Stephen Hawking, Steve Wozniak e Elon Musk.

“A tecnologia com Inteligência Artificial (IA) chegou a um ponto que o desenvolvimento de tais sistemas – praticamente senão legalmente – é possível em apenas alguns anos, não décadas, e os riscos são grandes: as armas autónomas têm sido descritas como a terceira revolução no armamento, depois da pólvora e das armas nucleares”, pode ler-se na carta, resumindo que “uma corrida ao armamento que funcione através de IA é uma má ideia”.


A ideia de criar “robôs assassinos” está a ser motivo de debate na comunidade científica. As Nações Unidas já abordaram o tópico controverso, afirmando banir alguns tipos de armas autónomas. Os especialistas pedem, no entanto, para todas as armas serem proibidas por estarem “fora do controlo significativo do ser-humano”.

Entre os críticos está o professor Stephen Hawking, o cofundador da Apple, Steve Wozniak, o CEO da SpaceX, Elon Musk, o professor Noam Chomsky, o chefe do gabinete de IA do Google, Demis Hassabis, e o especialista Daniel Dennet.

“Tal como grande parte dos químicos e biólogos não têm interesse em construir armas químicas ou biológicas, a maior parte dos investigadores de IA não têm interesse em construir amas inteligentes – e não querem que outros manchem a sua área de especialidade ao fazerem-no”, afirmaram.


Stephen Hawking criou uma campanha no Reddit, para que os utilizadores possam deixar perguntas sobre o tópico “tornar o futuro da tecnologia mais humano”, às quais vai responder esta semana.

Em dezembro, o químico já tinha alertado para os perigos da IA, numa entrevista à BBC, dizendo que “os humanos são limitados pela evolução biológica lenta e não poderiam competir com a inteligência artificial”.

A principal atração para a criação deste tipo de armas é o potencial de reduzir a mortandade nas zonas de guerra. Contudo, o grupo de opositores diz que os riscos são muito maiores que os ganhos e que “seria apenas uma questão de tempo até que elas surgissem no mercado negro e nas mãos dos terroristas, ditadores que desejassem ter maior controlo sobre a população, senhores da guerra para facilitar o extermínio racial, etc”.