Durante a noite de quarta-feira foram divulgadas novas imagens de Plutão, pela primeira vez em alta definição. As fotografias, tiradas enquanto a sonda New Horizons se afasta do planeta, mostram que a superfície de Plutão é composta de montanhas de gelo tão altas como os Alpes.

O clímax da expedição da aeronave deu-se ontem à noite, quando a sonda enviou para a Terra imagens em alta definição da superfície de Plutão.
 

“New Horizons já está a mostrar resultados surpreendentes. Os dados recolhidos são lindos e Plutão e Caronte são simplesmente de cortar a respiração”, afirmou Alan Stern, o investigador principal da missão.


A maior surpresa dos cientistas chegou ao analisar as imagens recolhidas. “Há montanhas na cintura de Kuiper”, que Plutão partilha com mais de 100 mil pequenos corpos celestes, feitas de gelo. Segundo o The Guardian, o cientista John Spencer disse que as montanhas parecem ter cerca de 3.400 metros de altura e muitos quilómetros de diâmetro.

“Estas são montanhas muito significativas. São comparáveis a algumas cordilheiras na Terra, como as Montanhas Rochosas [no Canadá] ”.


As imagens pormenorizadas da superfície de Plutão não mostram nenhuma cratera, o que sugere que a atividade geológica do planeta pode ter coberto recentemente o planeta. É possível que isto tenha acontecido através de explosões de geiseres feitos de gelo, para a atmosfera, ou de erupções de vulcões que, em vez de expelirem lava e material magmático, vertem gelo.
      
As imagens são apenas “descobertas superficiais” quando comparadas com o que ainda vai ser descoberto ao longo deste ano. Contudo, já estão a causar surpresa na comunidade científica. As montanhas parecem feitas de gelo, composto de água, mas também de metano e nitrogénio.
 

“O gelo é suficiente para suportar grandes montanhas e isso é o que achamos que estamos a ver aqui. Esta é a primeira vez que estamos a ver isto. O metano e o nitrogénio compõem apenas o revestimento”.


Os cientistas acreditam que os montes tenham surgido no planeta há 100 milhões de anos - uma formação recente, uma vez que o sistema solar tem 4,5 mil milhões de anos - e que ainda podem estar geologicamente ativos. A superfície de Plutão tem uma temperatura de 230 graus negativos, fazendo com que dois terços da sua superfície sejam compostos por rochas geladas.

As novas imagens de Caronte sugerem que o satélite esteja também a passar pelo mesmo processo geológico, exibindo falésias que se estendem por mais de mil quilómetros.

Segundo o The Guardian, a equipa de cientistas anunciou também que a formação que se assemelha a um coração na superfície do planeta foi batizada de Tombaugh Regio, em homenagem a Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão em 1930.

Foram também observadas as outras quatro luas de Plutão, de menor dimensão: Hydra, Nix, Styx e Kerberos. Uma fotografia tirada a Hydra sugere que o satélite tenha 33 quilómetros de diâmetro e que deve ser igualmente coberto por gelo.

Plutão está a 5 mil milhões de quilómetros da Terra, o que significa que a sonda leva várias horas a enviar uma única imagem para o nosso planeta. Para obter todos os dados que já foram recolhidos pela New Horizons os cientistas vão ter de esperar 16 meses.

A sonda deve continuar a conseguir recolher material até 2030.