A luz solar em Santiago do Cacém tem um nível «quase perfeito» de raios ultravioleta (UV), que estimulam a produção de vitamina D pelo corpo humano, entre outras propriedades benéficas, revelaram esta quarta-feira investigadores de uma universidade alemã.

As conclusões apresentadas em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, dizem respeito a uma investigação efetuada pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha, no âmbito da qual foram efetuadas medições, no último trimestre do ano passado, em dois pontos do concelho.

O estudo da luz neste local foi feito por comparação a medições efetuadas, no mesmo período, em Jammertal, na Alemanha, que revelou uma maior intensidade luminosa no concelho do litoral alentejano, fator que contribui «largamente» para reduzir a incidência de depressões associadas ao inverno, afirmou Jarek Krajewski, um dos responsáveis pela investigação.

Os investigadores da universidade alemã verificaram também que, em Santiago do Cacém, há mais luz azul, relacionada com a estabilização do ritmo circadiano, que regula as atividades biológicas diárias, e com uma melhor qualidade do sono.

De acordo com Sebastian Schnieder, outro dos investigadores, o estudo permite afirmar que a luz solar do concelho alentejano tem «efeitos benéficos para a saúde», mas tal não pode ser extrapolado para outras zonas de Portugal.

«Provavelmente», explicou, a luz solar de outras localidades com as mesmas características, como a proximidade com o mar, na região poderá ter uma composição semelhante, o que só pode ser aferido através de um estudo comparativo.

Os investigadores da Universidade de Wuppertal, na qual têm sido desenvolvidos outros estudos, em vários pontos do mundo, relacionados com os efeitos psicológicos e fisiológicos da luz no ser humano, constataram ainda que, em Santiago do Cacém, a luz permite uma «perceção muito ampla das cores», uma propriedade estética que terá mais influência na qualidade de vida e no bem-estar do que na saúde.

Uma configuração correta da iluminação no interior da casa, uma menor exposição a luz azul durante a noite e uma exposição mínima de 30 minutos diários à luz natural são alguns conselhos deixados pelos investigadores.

Segundo os responsáveis pelo estudo, o concelho de Santiago do Cacém foi escolhido com base em fontes científicas que indicavam a existência de uma «luz especial» no local.

O presidente do município, Álvaro Beijinha referiu que os resultados do estudo vieram dar uma «componente científica» ao «romantismo» que existia em redor da luz no local e revelam «condições ótimas» para aliciar potenciais turistas do norte da Europa a passarem «temporadas muito grandes» no concelho.

A investigação surgiu no âmbito de um projeto para uma herdade junto a Aldeia dos Chãos, no concelho alentejano, propriedade de Maria Loureiro, que encomendou o estudo à Universidade de Wuppertal.