Durante décadas, foram apresentadas várias teorias sobre o orgasmo feminino, mas nenhuma foi totalmente aceite pela comunidade científica. Agora, dois biólogos evolucionistas deram a conhecer um novo estudo sobre esta reação fisiológica das mulheres, que se baseou reconstrução histórica de vários mamíferos.

Enquanto a mulher liberta um óvulo por mês, outras fêmeas de mamíferos, como os coelhos e os camelos, libertam o óvulo só depois de acasalarem com um macho. Esta diferença entre espécies tem uma justificação associada: o ciclo ovulatório apresentou evolução apenas em alguns mamíferos, como os humanos e os primatas.

O cientista Pavcilev e a colega Gunter Wagner, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, concluíram que há 150 milhões de anos, os primatas só libertavam óvulos quando tinham contacto sexual. Porém, o novo papel do orgasmo feminino veio mudar essa característica.

Os animais ancestrais desenvolveram o clitóris dentro da vagina. No caso de alguns animais mais desenvolvidos, o clitóris deslocou-se. Com base em várias pesquisas, os cientistas responsáveis pela investigação apuraram que o orgasmo feminino constituía um reflexo que ajudava as fêmeas a engravidarem.

Quando os animais pré-históricos acasalavam, o clitóris conseguia enviar sinais para o cérebro, provocando hormonas que levavam à libertação do óvulo. Depois do óvulo ser fertilizado, as hormonas ajudavam-no a implantar-se no útero. Esta tarefa resultava melhor quanto menos parceiros sexuais a fêmea tivesse tido, pois este facto estimulava a mulher a ter um orgasmo mais intenso quando fazia sexo.

“Estamos perante um padrão evolutivo forte”

Com o passar dos tempos, alguns animais, incluindo os primatas como nós, começaram a depender de grupos sociais. As fêmeas tiveram acesso a sexo regular e o orgasmo como mecanismo ovulatório deixou de ser útil. O sexo feminino desenvolveu um novo sistema: libertação de óvulos num ciclo regular.

Visto que a tarefa original do orgasmo se perdeu com o passar do tempo, o clitóris desviou-se da sua posição original e está, agora, separado fisicamente da vagina. Esta pode ser a razão para 35,6% das mulheres, que responderam a um questionário em 2010, confessarem não terem tido um orgasmo enquanto tinham sexo, nos últimos anos.

Gunter Wagner revelou que este desvio faz também parte da evolução do sistema sensitivo dos humanos.

A nova teoria pode lançar uma nova luz sobre a forma como o orgasmo feminino evoluiu, mas Pavlicev e Wagner advertem que esta descoberta não resolve o debate sobre o papel do orgasmo no prazer feminino.

Todos os caminhos estão em aberto”, disse a cientista.