Se as selfies que tem no Instagram não são privadas, tenha cuidado, porque podem ser compradas por outras pessoas. Uma empresa criada em julho deste ano, o website Sellfie, está a lucrar com estas publicações, dedicando-se à venda de selfies, como se se tratassem de uma forma de arte, por preços que rondam os 150 dólares.

A página percorre o motor de busca do Instagram para encontrar todas as fotos públicas colocadas na rede com o hashtag #Selfie. Depois do cliente escolher a foto que mais gosta, pode encomendá-la e a companhia vai enviar a impressão num espaço de duas semanas, por um custo total de 150 dólares.

Depois da selfie ser comprada, não volta a ser mostrada no motor de busca, tornando a peça adquirida única.

O site não mostra o nome do utilizador a quem a foto pertence ou o link para a página do Instagram, mas não distorce a fotografia, nem oculta a identidade a cara das pessoas presentes na imagem.

Segundo o Huffington Post, o site também não filtra as imagens que apresenta ao consumidor, mostrando fotografias que contêm nudez, racismo e menores.

“O Instagram demora a censurar as imagens. Por causa disto, de tempos a tempos, aparecem na página algumas imagens que contêm nudez”, explicou Damjan Pita, um dos criadores do Sellfie, que afirma, contudo, que se alguém tentasse comprar uma foto deste género, a empresa cancelaria o pedido.


O projeto pode não estar a infringir nenhuma legislação ou direitos de autor porque trabalha sobre a alçada da “apropriação artística”, bastando modificar ligeiramente os retratos para não ser considerado crime.

O site inspirou-se no trabalho do artista Richard Prince, que fez uma exposição, intitulada “New Portraits”, usando apenas imagens de celebridades e adolescentes postadas no Instagram e que foram vendidas por 90.000 dólares cada. Richard não cometeu qualquer ilegalidade porque, antes de imprimir as imagens, deixou um comentário em cada uma das fotos.

“Se pegarmos num trabalho protegido e lhe dermos um significado novo, um novo propósito ou conteúdo, é geralmente tratado como algo transformado, por isso vai ser provavelmente qualificado como um uso legal”, afirmou Shiam Balganesh, professor de Direito da Universidade de Pensilvânia, em entrevista ao Huffington Post.


Pegando na legislação, Damjam Pita disse que “baseado no processo de impressão”, considera que o site está “a adicionar valor às imagens e a transformá-las de um estado digital para um estado concreto”. O diretor do website acrescentou também que as selfies são “como o espelho do nosso tempo” e que, por isto, devem ser tratadas como qualquer outra forma de arte.