O corpo de Scott Kelly não é o mesmo desde que voltou à Terra. O astronauta norte-americano sente-o todos os dias, mais do que imaginava, na pele, nos músculos, nas articulações. Tem, aliás, sentido tantas dores que seria mais fácil perguntar-lhe se há alguma parte do corpo que não lhe dói.

“É como uma sensação de ardor, sempre que me sento, me deito ou caminho”, descreveu, citado pela BBC.

Esta hipersensibilidade na pele é uma sensação nova para Scott Kelly, mais habituado às dores musculares e ao cansaço pós-missão espacial.

Na microgravidade, os astronautas perdem massa muscular e densidade óssea, condição pela qual têm de realizar 2,5 horas diárias de treino, seis vezes por semana.

Mas, apesar do exercício, os músculos não precisam de ser tão exigentes para o mesmo trabalho. Ou seja, os vasos sanguíneos nas pernas não têm de trabalhar tanto para bombear o sangue de volta ao coração.

Seja por tudo isto ou algo mais, Scott Kelly sente-se “muito diferente” comparando com a primeira missão de longa duração, também na Estação Espacial Internacional (EEI), mas apenas 159 dias e não 340.

Diferenças que estão agora a ser analisadas e que têm por base não só a própria evolução da condição de Kelly mas os resultados dos exames físicos e psicológicos realizados antes da viagem em conjunto com o seu irmão gémeo, Mark, que ficou na Terra.

A mais óbvia foi a altura. Scott regressou quase quatro centímetros mais alto. A diferença era esperada, uma vez que a coluna vertebral tende a alongar devido à menor pressão na microgravidade. Um efeito temporário de apenas alguns meses.

O impacto desta viagem de Scott Kelly só deverá ser conhecido dentro de seis anos, prazo estimado para a publicação dos resultados dos exames.