A implantação de elétrodos estimulantes no cérebro pode ajudar na recuperação da memória e em doenças de demência mental. Um aparelho semelhante a um pacemaker ajuda centenas de milhares de doentes de Parkinson. Apesar de ser ainda muito experimental em pessoas que sofrem de Alzheimer, existem já alguns casos de sucesso.

O sistema de estimulação do cérebro envolve a implantação de fios muito finos com elétrodos no cérebro. Estes estão ligados a um gerador de pulso – pacemaker – debaixo da pele da parede torácica. O dispositivo envia estimulação elétrica que melhora as capacidades do paciente ou reduz os seus sintomas de demência.

LaVonne Moore tem 85 anos, sofre de Alzheimer e é uma das pessoas que já tem o aparelho. Vive com o marido, em Ohio, nos Estados Unidos da América, que assegura que a doença da mulher tem mostrado melhorias significativas desde que instalou o pacemaker, há três anos e meio. Contrariamente ao que acontece com muitos dos doentes como ela, consegue vestir-se e cozinhar sozinha.

A LaVonne sofre da doença de Alzheimer há mais tempo do que qualquer pessoa que eu conheço. Isto pode parecer negativo, mas é realmente positivo porque mostra que estamos a fazer alguma coisa bem”, contou à BBC.

O aparelho implantado no seu cérebro estimula as áreas que influenciam a tomada de decisão e a resolução de problemas. Os médicos esperam agora que os sintomas de demência de LaVonne fiquem sob controlo.

São ainda poucos os estudos feitos em doentes com Alzheimer. No entanto, de acordo com a BBC, os especialistas acreditam que a sua abordagem, que incide sobre o lobo frontal do cérebro – a região responsável pela tomada de decisão – pode ajudar os pacientes a manterem a sua independência por mais tempo. Afirmam, contudo, que é ainda demasiado cedo para conseguir perceber se o tratamento ajuda a atrasar a decadência cognitiva.

Um especialista de neurocirurgia que tem conduzido estes estudos em pacientes com Alzheimer, no Canadá, afirma ser urgente determinar um tratamento para a doença.

Este tratamento pode parecer agressivo e arriscado para alguns, mas é promissor. Os estudos, até agora, mostram que é seguro. Nós temos pacientes com Parkinson que têm estes aparelhos dentro deles já há 30 anos, sem qualquer problema.”, declarou Andres Lozano à BBC.

Apesar de não negarem as melhorias e eficácia do tratamento, os especialistas deixam a ressalva de que ainda são precisos estudos que comprovem efetivamente a eficácia do pacemaker.