A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou esta terça-feira que nove em cada dez pessoas no mundo respira ar poluído e contaminado.

Segundo nota da OMS, os níveis de contaminação permanecem "perigosamente elevados" em várias regiões do globo e Portugal não foge à regra.

Foram analisadas 12 cidades em solo nacional e seis delas ultrapassam o limite de 10 microgramas por metro cúbico estipulado pela OMS para as partículas finas PM2.5, ou seja o nível de partículas minúsculas que andam no ar e que entram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, causando doenças potencialmente mortíferas como derrames cerebrais, ataques de coração, obstruções pulmonares e infeções respiratórias.

Ílhavo é a cidade com o índice mais elevado (15), seguida de Albufeira (14), Coimbra (12) e Lisboa, Vila do Conde e Faro (11). As outras cidades analisadas estão dentro dos limites, ainda que quatro delas (Braga, Vila Franca de Xira, Almada e Loures) estejam no limiar de poluição com 9 microgramas. Sintra (8) e Santo Tirso (6) são as outras duas cidades. 

A nível mundial, as cidades mais poluídas são as asiáticas e do Médio Oriente. Zabol lidera o 'ranking' com 217, valor que supera 20 vezes o limite da OMS. Seguem-se Gwalior (176) e Allahabad (170) na Índia e Raide (156) e Al Jubail (152) na Arábia Saudita. 

Segundo os investigadores deste estudo da OMS, que envolveu a análise a mais de 3400 cidades, os níveis de contaminação do ar têm-se mantido estáveis ao longo dos últimos seis anos, com ligeiras melhorias na Europa e no continente americano, apesar de muitos esforços para baixar drasticamente os valores.

O mais dramático é que os valores estabilizaram. Apesar das melhorias alcançadas e dos esforços postos em prática, a imensa maioria da população mundial, 92 por cento, respira ar contaminado em níveis muito perigosos para a saúde", afirmou a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente, María Neira, citada pela agência Efe.

Para além deste dado há outro bastante preocupante: todos os anos morrem sete milhões de pessoas por causas diretamente relacionadas com a poluição.

Segundo a OMS, em 2016 o ar poluído no exterior causou a morte a 4,2 milhões de pessoas. A poluição de interiores, relacionadas, por exemplo, com o uso de tecnologia ou de fontes de energia poluentes na cozinha terá causado 3,8 milhões de mortes.

No esforço de alterar o panorama, a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS deu como exemplo a China, que politicamente se propôs a reduzir os "níveis de contaminação altíssimos".

A poluição ambiental é o maior desafio para a saúde pública mundial", sublinhou.

Embora este exemplo tenha sido dado, os valores em cidades chinesas continuam elevadíssimos: todas as 210 cidades chineses analisadas estão com valores acima dos limites recomendados, sendo que várias delas ultrapassam os 100 microgramas.