Uma investigação desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC) revelou que um radiofármaco utilizado na deteção de metástases ósseas pode ser eficaz também na identificação precoce da doença cardiovascular, foi anunciado esta terça-feira.

O radiofármaco fluoreto de sódio marcado com fluor-18, “usado classicamente na deteção de metástases ósseas, parece ser eficaz na identificação precoce da doença cardiovascular”, de acordo com um estudo piloto realizado no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), em Coimbra, afirma a UC numa nota divulgada esta terça-feira.

O método, que recorre a imagem não invasiva, foi aplicado a “indivíduos com risco cardiovascular, seguidos na consulta externa de cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), por uma equipa multidisciplinar liderada pela docente e investigadora da Faculdade de Medicina da UC Maria João Ferreira.

Os investigadores verificaram que é possível “identificar placas ateroscleróticas em processo de microcalcificação ativa, mais vulneráveis” e, por isso, “mais sujeitas a rotura, o que parece relacionar-se com o risco de se associarem a quadros agudos, como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral”, adianta a UC.

O seu reconhecimento pode condicionar tratamentos que visam a sua estabilização e, consequentemente, a diminuição do risco de eventos cardiovasculares”, acrescenta.

Os resultados obtidos “são muito promissores e parecem apoiar esta nova aplicação deste ‘velho’ marcador”, sustenta Maria João Ferreira.

Mas há ainda muito trabalho a ser desenvolvido” e é “indispensável” dar continuidade ao “esforço de uma equipa onde a investigação básica e clínica interagem de forma profícua”, sublinha a investigadora.

A importância deste conhecimento poderá, num futuro que se antevê próximo, relacionar-se com o risco cardiovascular do indivíduo e, por isso, com a sua orientação terapêutica”, admite Maria João Ferreira.

Apostar em novos métodos de diagnóstico precoce das doenças do foro cardíaco é muito relevante porque, salienta a docente da Faculdade de Medicina de Coimbra, “a doença cardiovascular, nas suas várias componentes, é uma das principais causas de morte”.

De acordo com estatísticas europeias, a doença cardiovascular é responsável por cerca de 42% das mortes nos homens e 51% nas mulheres, salienta a investigadora.

Trata-se por isso de uma entidade clínica associada a enormes custos, de difícil contabilização, que urge tratar e sobretudo prevenir”, salienta Maria João Ferreira.

O diagnóstico precoce, bem como a estratificação de risco, são dois pilares importantes em qualquer estratégia que vise lidar com esta doença”, conclui a especialista.