O tema é polémico e alvo de diversos estudos, na maioria das vezes contraditórios: o consumo de leite. Uma investigadora portuguesa, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, vem trazer dados novos que associam o consumo de leite a uma menor prevalência de adiposidade central excessiva, ou seja, a chamada gordura abdominal.

O estudo sugere alguns efeitos protetores do consumo de leite pelos jovens da chamada adiposidade central excessiva”, resume Raquel Leitão, em entrevista à TVI24.

O estudo acompanhou 288 jovens de Viana do Castelo, com idade a rondar os 15 anos. Além do consumo de leite, os investigadores analisaram também a prevalência da atividade física nos jovens. Até porque em saúde, sublinha Raquel Leitão, dificilmente a culpa ou o benefício estará num único fator.

A saúde é uma questão muito complexa. É o resultado de fórmulas para as quais contribuem diversos fatores. Claro que neste estudo, não podemos nunca dissociar o consumo de leite da questão da atividade física.”

A investigação separou a amostra em quatro grupos: jovens mais ativos, jovens menos ativos, jovens que consumiam mais leite e jovens que consumiam menos leite. Depois, fez quatro combinações com os dados obtidos e concluiu que os jovens mais ativos e que consumiam mais leite tinham uma menor prevalência da chamada gordura abdominal (12,1%). Já os jovens mais ativos, mas que consumiam menos leite tinham uma prevalência de gordura abdominal na ordem dos 21%, seguidos do grupo com menor atividade de maior consumo de leite (25,6%) e, por último, dos jovens menos ativos e com menor consumo de leite (33,3%).

Gráfico que traduz os dados obtidos pela investigadora Raquel Leitão. In: Acta Portuguesa de Nutrição. Vol. 5 (p66)

Os resultados obtidos estão em linha com outros estudos já existentes, que apontam para esse fator protetor do leite. Mas o que ele traz de novo é esta análise do índice de adiposidade central excessiva. A maior parte dos outros estudos tratam variáveis como o peso ou o índice de massa corporal, que podem não ser os melhores indicadores. ”

A investigadora reconhece que o tema é alvo de muita polémica e que os estudos se contradizem. Sublinha que “apesar de terem sido levantados potenciais riscos, por parte de muitos estudos, não há indicações para substituir o leite numa alimentação rica, variada e equilibrada”.

Sobre o trabalho que fez junto dos jovens de Viana do Castelo, Raquel Leitão, nutricionista e professora universitária, faz questão de sublinhar que há muito por explorar nesta matéria, nomeadamente perceber “os mecanismos biológicos” que fazem com o que o leite possa ter esse efeito protetor.

Os dados do estudo estão recolhidos e as primeiras conclusões foram já apresentadas. O trabalho está em fase de preparação para publicação. As conclusões serão alvo de discussão na Conferência Internacional da Criança e do Adolescente, que decorre em Lisboa até sábado.