Um estudo relacionado com os benefícios do consumo de álcool para a saúde revelou que estes são irrelevantes e que o álcool é causa de, pelo menos, sete tipos de cancro. Apesar de ter sido revelada uma relação direta e perigosa do consumo de álcool com o aparecimento do cancro, não se sabe ainda quais são os motivos que criam esta ligação.

Jennie Connor, professora de epidemiologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, refere num artigo publicado na revista Addiction que o álcool foi a causa de cerca de meio milhão de mortes por cancro só em 2012. O estudo elaborado por Connor revela que a probabilidade de ter cancro pelo consumo de álcool é maior para as pessoas que bebem com muita frequência, grupo ao qual se atribui um consumo de mais de quatro bebidas por dia, no caso dos homens, e de três, no caso das mulheres.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, os principais tipos de cancro causados pelo consumo excessivo de álcool, e enunciados por Jennie Connor, são o cancro da faringe, da laringe, do esófago, do fígado, do cólon, do reto e da mama.

Desta forma, a investigadora explica que, tendo em conta as evidências, não há qualquer nível de consumo de álcool considerado seguro no que diz respeito ao cancro, ainda que os riscos sejam diminuídos, em alguns casos, quando as pessoas param de beber.

A mesma investigadora acrescenta que os supostos benefícios para a saúde provenientes do consumo de álcool, tais como o vinho tinto ser bom para o coração, devem ser considerados irrelevantes face ao aumento exponencial do risco de aparecimento de cancro. Foram publicados diversos estudos que comprovam que mesmo que o consumo de álcool seja moderado, os riscos de aparecimento de cancro existem.

Publicado em Itália, em junho, um outro estudo demonstra que o consumo de doses reduzidas de cerveja pode diminuir o risco de contrair doenças cardíacas em 25%. Contudo, tinha sido demonstrado em janeiro pelos principais centros de investigação de saúde do Reino Unido que não há qualquer nível de consumo de álcool que não aumente os riscos de aparecimento de cancro.

As conclusões de Jennie Connor resultam do estudo de múltiplos casos dos últimos 10 anos registados pelo World Cancer Research Fund, pela International Agency for Research on Cancer e pela Organização Mundial de Saúde.

Além de outras evidências, vemos o risco aumentar à medida que aumenta a quantidade de álcool ingerida, e acreditamos que há motivos suficientes para concluir que o consumo de álcool está diretamente relacionado com o aparecimento de cancro”, explica Susannah Brown, coordenadora do Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro, citada pelo The Telegraph.