Há mais de 40 anos, um estudo aconselhava as pessoas a evitarem as gorduras saturadas, como aquelas que se encontram na manteiga, no queijo e no leite gordo ou meio-gordo.

Essas «orientações» consideravam que o consumo de gorduras saturadas devia ser reduzido para menos de 30 por cento por dia, cita o «The Guardian».

As gorduras saturadas apareciam associadas a um maior risco de doenças e, principalmente, desaconselhadas para doentes cardíacos por potenciarem o aumento do colesterol.

Agora, um estudo anglo-saxónico, publicado no «Open Heart», vem desmistificar estas conclusões, argumentando que elas «não têm base científica» e que «nunca deveriam ter sido publicadas», já que o estudo foi feito com base numa franja mínima de doentes, «um pequeno número de doentes cardíacos», como acrescenta o «The Independent», e não há sequer resultados das consequências nas mulheres.

Mas, a verdade é que esta informação pouco sólida passou de geração em geração e levou milhões e milhões de britânicos e americanos a cortarem nas gorduras saturadas ou a retirarem as mesmas da sua dieta.

Os novos exames mostram agora que a redução dessas gorduras saturadas pode ajudar a baixar o colesterol, mas não tem consequências na redução da taxa de morte por doenças cardíacas.

Os investigadores atuais criticam as conclusões precárias dos estudos de 1977, nos Estados Unidos, e de 1983, no Reino Unido, que, para mais, afastaram as preocupações destes doentes de outros produtos «maléficos», como, por exemplo, a temática da presença do açúcar em excesso nos doentes cardíacos ou o abuso dos hidratos de carbono.

Os investigadores alertam, no entanto, que o facto de os resultados não serem conclusivos, não quer dizer que sejam mentira. Por isso, como qualquer dieta equilibrada, não vale começar agora a abusar das gorduras saturadas.

Aliás, o «The Guardian» recorda a advertência do Comité para os aspetos da política de alimentação em 1991: «Comer muitas gorduras saturadas aumenta os níveis de colesterol e acresce os riscos de doenças cardíacas».