Uma prótese específica para dançar ballet clássico, feita sob medida, devolveu a uma jovem no Brasil o sonho de ser bailarina. Em 2003, Melina Reis teve um acidente de viação e, devido a complicações e 20 cirurgias depois, sofreu uma amputação na perna esquerda. Mas a jovem, na altura com 18 anos, não desistiu e consultou o médico especialista em próteses José André Carvalho em busca de uma solução.

José André Carvalho, que é diretor do Instituto de Prótese e Órtese de Campinas, aceitou o desafio.

"Consultei a literatura e não há nada publicado em relação à confeção de um pé para uso de sapatilha de ponta", conta o especialista, citado pelo jornal britânico “Independent”.

Para desenvolver a prótese, que fica na posição de ponta, foi preciso aplicar conceitos de biomecânica e cálculos matemáticos, diz o médico. O pé direito de Melina Reis foi utilizado como molde e a prótese foi feita a partir de uma mistura de resina, fibra de carbono e gesso.

“O desafio é ela conseguir manter-se equilibrada sobre a prótese usando apenas um centímetro quadrado como área de apoio”, explica José André Carvalho.

Melina Reis voltou às aulas de ballet

Após alguns testes e ajustes, a prótese ficou pronta e encaixou perfeitamente dentro da sapatilha de ballet clássico. Menos de uma semana depois do fim dos testes com o novo pé de bailarina, a jovem voltou às aulas de ballet..

"Foi maravilhoso. Senti-me viva de novo. Parece que estou a viver um sonho, nem parece que é verdade. A maior dificuldade é o nervosismo, a emoção, que não dá para controlar muito bem, além da questão do equilíbrio, claro", conta Melina Reis.