O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu ao tribunal da Califórnia para cancelar a audiência contra a Apple a propósito do caso que envolve o iPhone do atirador de San Bernardino. As autoridades federais norte-americanas terão descoberto nova forma de desbloquear o telemóvel do atacante, sem a ajuda da empresa tecnológica. O pedido já foi aceite.

“No domingo, foi demonstrado ao FBI um método possível para desbloquear o iphone de Syed Farook”, escreveram os procuradores no requerimento apresentado.

O mesmo documento refere que as autoridades estão agora a realizar testes para saber se este é ou não um método viável, que não ponha em causa os dados contidos no telemóvel. E caso este cenário se venha mesmo a verificar, a ajuda da Apple já não será necessária.

“Se o método for viável, já não será preciso a assistência da Apple neste caso.”

Por isso, os procuradores pediram para que a audiência agendada para esta terça-feira fosse cancelada.

Assim, a guerra entre a Apple e o FBI poderá não ter de passar pelos tribunais. A história fez correr muita tinta na imprensa internacional, nas últimas semanas.

Tudo começou quando a 16 de fevereiro a juíza federal Sheri Pym ordenou à Apple que ajudasse os agentes do FBI a aceder aos dados do telefone do atirador de San Bernardino. Recorde-se que o tiroteio, que fez 14 mortos e 20 feridos, está a ser investigado como terrorismo.

Mas a empresa tecnológica, presidida por Tim Cook, recusou cumprir a ordem judicial, por considerar que isso iria pôr em causa a segurança de todos os seus telemóveis.

"O FBI quer fazer uma nova versão do sistema operativo do iPhone, eliminando várias barreiras de segurança, de modo a aplicar num iPhone que é prova numa investigação. O governo está a pedir à Apple para piratear os seus próprios clientes e que deite por terra os avanços feitos em matéria de segurança para proteger os clientes”, disse, na altura, Tim Cook.

Em causa está uma ferramenta de segurança de que os aparelhos da Apple foram munidos após o escândalo Edward Snowden, sobre o acesso às comunicações por parte do governo.