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Português descobre como aumentar efeito da quimioterapia

Técnica de tratamento do cancro também reduz efeitos secundários dos tratamentos mais agressivos

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   |   2012-08-21 23:59

Uma equipa de investigadores do Instituto de Biotecnologia da Flandres (pólo de Leuven), da qual faz parte o português Rodrigo Leite de Oliveira, descobriu uma forma de tornar a quimioterapia mais eficaz no combate ao cancro e, ao mesmo tempo, minimizar os efeitos secundários da quimioterapia mais agressiva, mas também mais eficaz. O estudo foi publicado na revista «Cancer Cell».

Em entrevista ao tvi24.pt, o investigador português Rodrigo Leite de Oliveira explicou que este trabalho foi desenvolvido ao longo de cinco anos. Em 2009, a equipa descobriu que diminuindo a atividade de uma determinada enzima, a PHD2, nos vasos sanguíneos de tumores sólidos, que são irregulares e desordenados, consegue-se uma diminuição do tumor e uma «redução dramática de metástases».

Basicamente, explica o investigador, «ao normalizar os vasos tumorais, as células cancerígenas não conseguem entrar com tanta facilidade no fluxo sanguíneo e não se espalham».

Numa segunda fase do projeto de investigação, que culminou com a publicação do estudo na revista «Cancer Cell», a equipa administrou doses menores de fármacos de elevada toxicidade nos tratamentos de quimioterapia e verificou que, mesmo assim, os tumores diminuíam.

Doses mais reduzidas de quimioterapia

Tendo em conta que os efeitos secundários destes fármacos são tão severos que muitos doentes oncológicos têm de parar com os tratamentos devido às consequências em órgãos tão vitais como o coração e os rins, o facto de ser possível administrar doses mais reduzidas de quimioterapia revela-se de grande importância.

Sublinhe-se que este estudo demonstra pela primeira vez uma dupla estratégia de combate ao cancro: a redução do tumor e das metástases, e a redução significativa dos efeitos secundários associados à quimioterapia.

Dos ratinhos transgénicos à aplicação clínica

Para já todo este trabalho de investigação foi desenvolvido com base numa abordagem genética, ou seja, com ratinhos transgénicos, cabe agora às empresas farmacêuticas encontrar um fármaco inibidor desta enzima específica, a PHD2, para que possa ser aplicado na prática clínica.

Já há empresas a trabalhar num fármaco

Rodrigo Leite de Oliveira revela, aliás, que há várias empresas interessadas em encontrar este fármaco e adianta que há já algumas que estão a trabalhar nisso.

Esta investigação centrou-se em tumores do pulmão e melanoma, uma vez que são muito agressivos e metastizam, mas, sublinha o investigador português, «será útil para todo o tipo de tumores sólidos, porque todos têm vasos sanguíneos que funcionam mal».

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