Um estudo junto da população idosa realizado pelo investigador de Coimbra Ricardo Pocinho concluiu que homens, indivíduos institucionalizados e sujeitos com ensino superior apresentam maiores níveis de stress.

O estudo contou com 409 participantes de um total de 620 inquiridos de todo o país, entre os 53 e os 93 anos (média de idades de 72,9 anos), e pretendeu avaliar a capacidade que a pessoa idosa tem para lidar com adversidades, bem como o efeito do lazer na relação da educação com o "distress" (quando o organismo não sabe adaptar-se a situação de stress) psicológico na população sénior.

Uma das conclusões do estudo aponta para o facto de pessoas com mais habilitações terem mais stress, algo que é contrário à ideia inicial da equipa de investigação, apontou à agência Lusa Ricardo Pocinho, coordenador de uma pós-graduação em Envelhecimento Ativo e Saudável na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.

"As pessoas com mais habilitações académicas poderiam ter estratégias de reação à adversidade maiores, mas isso não se verificou", disse Ricardo Pocinho, considerando que esse resultado poderá estar relacionado com a própria vida que esses indivíduos levaram, com "carreiras de maior desgaste e de maior exigência técnica".

A institucionalização foi também indicada pelo estudo como "um fator perturbador", que agrava a capacidade de lidar com o stress, independentemente de todas as outras variáveis.

"A maioria das IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] que visitámos cumprem os requisitos legais, mas estão sobredimensionadas. Não há um reforço da equipa de profissionais e há falta de recursos qualificados", constatou o também investigador colaborador do CINTESIS (Center for Health Technology and Services Research) da Universidade do Porto.

Os idosos que estão "equilibrados" acabam por "ficar de lado", face ao enfoque "naqueles que precisam de cuidados continuados", sendo que o próprio ambiente dos lares acaba por levar a um efeito de contágio, sublinhou.

De acordo com o investigador, também o género é uma das variáveis onde se encontra "um desequilíbrio muito grande", com as mulheres a mostrarem-se "mais resistentes ao ‘stress’ do que os homens".

Já a participação em atividades de lazer acaba por ser um fator que dá "mais capacidade às pessoas para lidarem com o stress", sendo "um importante fator para criar resistência" a adversidades, salientou Ricardo Pocinho.

O aumento da idade e a residência em meio urbano mostraram também ser contributos para uma maior vulnerabilidade a situações de stress, refere o estudo.

Para o estudo foi utilizado "o Mental Health Inventory para comparar o nível de ‘distress’ nas categorias de habilitações, meio e lazer".

O estudo começou em novembro de 2015 e contou ainda com a participação de um psicólogo e uma gerontóloga.

Um dos elementos da equipa vai agora avançar com um doutoramento em torno da temática.