O Governo da Finlândia atribuiu, na quinta-feira, à empresa Posiva Oy a primeira licença para construir um armazém de resíduos nucleares subterrâneo e permanente. Em comunicado citado pela Associated Press, o Executivo finlandês realça que é a primeira autorização do género concedida no mundo.

O armazém, que pode acomodar até 6.500 toneladas de urânio durante 100.000 anos, ficará localizado em Olkiluoto, no oeste do país, onde há duas centrais de energia nuclear e uma terceira está a ser construída.

“É a primeira vez no mundo que se atribui uma licença de construção de um armazém para os resíduos nucleares dos reatores. A Finlândia é um pioneiro internacional em gestão de resíduos nucleares, o que nos obriga a lidar com esta questão de forma responsável e segura no futuro ", disse o ministro da Economia, Olli Rehn.


O governante acredita que a experiência finlandesa abrirá oportunidades de negócio noutros países na área da gestão dos resíduos nucleares.

De acordo com a agência Efe, o Governo finlandês incluiu numerosas cláusulas na licença. Por exemplo, obrigar a Posiva Oy a remeter às autoridades análises do impacto ambiental da instalação, relatórios sobre os riscos de transporte ou quaisquer modificações que se façam no projeto.

A Posiva Oy adiantou que a construção das instalações deverá começar no final de 2016 para que o armazém esteja operacional em 2023.

De acordo com o projeto, os resíduos nucleares de reatores serão introduzidos em contentores de cobre numa unidade de encapsulamento, para depois serem transferidos para os túneis do armazém, localizado a uma profundidade de entre 400 e 450 metros, e para os depósitos finais, tapados com bentonita, uma mistura de argilas.

Os túneis já foram construídos para estudar e verificar a solidez da área rochosa onde o lixo ficará enterrado durante cerca de 100.000 anos, antes de o nível de radioatividade começar a dissipar-se.

A construção deverá custar pouco menos de mil milhões de euros, com mais 3.800 milhões de euros, se se incluírem os custos operacionais para 100 anos.

A Posiva Oy solicitou a licença ao Governo finlandês em dezembro de 2012, e o projeto foi aprovado em fevereiro pelas autoridades responsáveis pela segurança nuclear.

A Suécia tem planos semelhantes, mas a empresa assegurou que está alguns anos atrás da Finlândia.