Os portugueses usam mais as redes sociais do que a média da União Europeia. Em Portugal, há 70% de internautas contra uma média de 57% de utilizadores nos outros Estados membros. Uma mudança cultural que tem consequências na vida das pessoas, desde crianças a adultos. Uma vez na internet, “para sempre na internet”, é preciso não esquecer.

“Hoje em dia fala-se muito de uma cultura de ecrãs, porque cada vez mais os jovens utilizam telemóveis, Internet, como meios e comunicação e até de trabalho. De facto, a Internet e as novas tecnologias têm inúmeras vantagens que não podemos negar, mas também é importante não deixar de cultivar as competências interpessoais e sociais que são primordiais nesta fase da adolescência”, alertou a psicóloga Isa Silvestre na TVI24, esta terça-feira.


Nos últimos cinco anos, o crescimento da rede social Facebook mais do que duplicou. Atualmente cerca de metade da população do continente com pelo menos 15 anos acede ao Facebook com frequência.

A psicóloga chamou a atenção que é preciso que este uso das redes sociais não “substitua o contacto físico” e aí “o papel dos pais é fundamental para conseguirem ensinar e orientar os filhos sobre o equilíbrio entre o investimento na vida online e o investimento na vida social”.


A pegada digital


Mas, os próprios pais, adultos também utilizadores constantes da Internet, não colocam, por vezes, essas fronteiras, e, se antes se criticava o mero colocar as crianças à frente da televisão, agora, a Internet substitui esse papel.

“A grande questão está em percebermos se estas crianças e jovens têm consciência das consequências, boas e más, que esse rasto pode significar”, referiu a psicóloga.


“O que hoje nós assistimos, através de várias investigações, é o facto de cada vez mais crianças e jovens, com maior ou menor consciência, terem uma presença ativa nas redes sociais, através de publicações, vídeos, imagens, partilha de informação sobre elas próprias, e que vão deixando um rasto e uma identidade digital”, disse Isa Silvestre.

“Estudos alertam de que cada vez mais, crianças pequenas, até aos oito anos de idade, terem acesso a novas tecnologias na internet, como tablet, smartphones, onde facilmente têm acesso à Internet” e “onde é que esta situação pode constituir um risco? Estas crianças pequenas certamente ainda não terão desenvolvido as competências técnicas e também a crítica social, para saberem o que devem ou não publicar, o que devem ou não ver, e isto irá aumentar o risco destas crianças verem conteúdos inadequados”.


O bullying

 Isa Silvestre deixou outro alerta: “Esta pegada digital não depende só do que nós publicamos, mas também daquilo que outros publicam sobre nós”.

“A exposição das crianças ao risco também é feita pelos próprios pais. Os pais, muitas vezes, publicam fotografias e vídeos das crianças que vão ter um efeito nesta pegada digital da criança. E isto pode refletir-se na adolescência ou na vida adulta. Mais tarde, [esse adulto] pode não se identificar por ter fotos dela ou vídeos de quando era criança ou bebé. Ou até, provavelmente, na adolescência, os colegas acederem e utilizarem”, o que recai nos fenómenos de bullying, concluiu Isa Silvestre.