Os grandes anunciantes e marketeers estão revoltados com o Facebook depois descobrirem que a maior rede social do mundo estava a inflacionar o tempo médio de visualização dos vídeos que são inseridos na sua plataforma nos últimos dois anos, noticia o The Wall Street Journal que cita fontes próximas do processo.

Há algumas semanas, o Facebook divulgou um post no seu "Centro de ajuda aos anunciantes" onde referia que a métrica que utilizava para calcular o tempo médio que os utilizadores passavam a ver cada vídeo estava inflacionada porque só contabilizava as visualizações de vídeos de mais de três segundos. A companhia disse ainda que estava a introduzir uma nova métrica para corrigir o problema.

Descobrimos, recentemente, um erro na forma como calculávamos a nossa métrica nos vídeos”, disse o Facebook em comunicado.

 

O erro foi corrigido e não impactou na faturação. Além disso notificámos os nossos parceiros. Também redominámos a métrica para tornar claro o que medimos. Esta métrica é um dos muitos sistemas que os nossos parceiros usam para avaliar as suas campanhas de vídeo", acrescentou a rede social.

Mas alguns dos anunciantes, que foram informados pelo Facebook sobre a mudança, quiseram ir mais longe e acabaram por conseguir mais alguma informação por parte da tecnológica.

À Publicis Media, a divisão de compra de espaço publicitário dentro do grupo Publicis Groupe, terá sido dito, pelo Facebook, que o método de contagem anterior, claramente, inflacionava o tempo médio de visualização, ente 60 a 80%. Uma informação que esta empresa terá enviado a um cliente em agosto, com quem o WSJ falou.

O Publicis foi responsável pela compra de cerca de 68,7 mil milhões de euros em anúncios em nome de comerciantes em todo o mundo em 2015, de acordo com estimativas da empresa de pesquisa RECMA.

A notícia é um embaraço para o Facebook, que tem divulgando o rápido crescimento do consumo de vídeos através de sua plataforma nos últimos anos.

Devido a este erro muitos comerciantes podem ter avaliado mal o desempenho da publicidade em vídeo que compraram no Facebook nos últimos dois anos. E também podem ter sido afetados nas suas decisões sobre quanto gastar no Facebook vídeo versus outros espaços de anúncios de vídeo como o Google, YouTube, Twitter, e até mesmo os canais de televisão.

As empresas de media e as editoras também terão sido afetadas, uma vez que lhes foram transmitidos dados imprecisos sobre o consumo dos seus conteúdos de vídeo através da rede social. Muitos usam essa informação para determinar o tipo de conteúdo que publicam.