Esperma desenvolvido a partir de tecido de testículo congelado de ratos recém-nascidos foi usado para produzir crias saudáveis, revela esta terça-feira um estudo, considerado promissor para o tratamento da infertilidade dos homens.

Num processo chamado espermatogénese, o esperma (que contém as células reprodutivas masculinas) foi produzido em laboratório a partir de tecido de testículo congelado durante mais de quatro meses.

Posteriormente, foi injetado diretamente em células de ovócitos (células reprodutivas femininas) imaturos, para dar origem a ratos bebés.

As crias nasceram saudáveis e com capacidade para reproduzir durante a idade adulta, indica o estudo publicado na revista Nature Communications.

A criopreservação de tecido de testículo, extraído de rapazes que se vão submeter a tratamentos agressivos contra o cancro, como a quimioterapia, tem sido apontada, com muita controvérsia, como o caminho possível para a preservação da sua função reprodutiva e da esperança de serem pais.

Segundo o estudo, realizado no Japão, os avanços no tratamento do cancro aumentaram a esperança de vida de doentes jovens, tornando a infertilidade uma crescente preocupação para os médicos.

Os cientistas creem que a espermatogénese (formação de espermatozoides, as células reprodutivas masculinas) em laboratório, nos humanos, "pode ser vista como um sucesso no futuro, apesar de não ser fácil e requerer mais investigação".

A ser conseguida, porém, a prática poderá ser um meio para preservar a capacidade reprodutiva futura de meninos com cancro.