A partir de um simples teste ao sangue poderá ser possível prever o aparecimento de Alzheimer e monitorizar os pacientes com vista a um tratamento da doença mais eficaz.

A conclusão é de uma investigação dos cientistas britânicos da universidade «King's College London» em parceria com a empresa especializada em práticas laboratoriais com proteínas «Proteome Sciences». O estudo dá uma nova esperança ao tratamento da doença até agora incurável.

O teste deverá ser possível dentro de dois anos e estima-se que terá um custo entre 126 e 378 euros. Para já a precisão do teste ronda os 87 por cento mas este é um valor que os investigadores pretendem aumentar.

Com o aumento da esperança de vida, o número de pacientes com a doença também tem aumentado. Atualmente afeta 44 milhões de pessoas em todo o mundo, um valor que poderá triplicar até 2050, de acordo com as estimativas da Alzheimer's Disease International».

Até agora todas as tentativas de cura fracassaram. Os cientistas consideram que isto acontece porque quando a doença é diagnosticada o cérebro já está demasiado afetado. Assim, a obtenção de uma terapia eficaz implica começar o tratamento num primeiro estágio, o que só será possível se se conseguir prever o desenvolvimento da doença.

«O Alzheimer começa a afetar o cérebro muito antes de os pacientes serem diagnosticados com a doença. Muitos dos medicamentos não têm efeito porque nessa altura o cérebro já está severamente afetado», explicou o investigador Simon Lovestone, da «King¿s College».

Ao longo da pesquisa, os especialistas identificaram 10 proteínas no sangue de pacientes com que desenvolveram Alzheimer. Assim, a partir da presença ou ausência destas proteínas torna-se possível determinar se o indivíduo vai ou não ter a doença.

O teste destina-se essencialmente a pessoas com perdas de memórias que correspondem ao estado de Défice Cognitivo Ligeiro, um estado intermediário entre o envelhecimento cognitivo normal e a demência leve.

«O próximo passo é validar estas conclusões e melhorar a percentagem de precisão do diagnóstico para desenvolver um teste de confiança», afirmou Lovestone.

Mas se a descoberta despoletou o entusiasmo de muitos membros da comunidade científica, há também quem alerta para os cuidados a ter na utilização destes exames.

Eric Karran, cientista na fundação «Alzheimer Research UK» considera a pesquisa de grande importância mas salienta a necessidade de esta previsão ter de ser usada de forma responsável.

«Temos de ter cuidado na forma como usamos estes testes, especialmente na ausência de uma terapia eficaz», declarou.

Por outro lado, há quem também considere que antes de pôr em prática estes exames é preciso minimizar a margem de erro dos testes para que não haja o risco de se obter um diagnóstico errado.