Três jovens cientistas do Colégio Luso-Francês do Porto vão representar Portugal no Concurso Europeu de Ciência com o “ENTOFARM.PT”, um projeto que usa o grilo doméstico como “alternativa proteica” ao consumo de carne.

O nosso objetivo era criar uma alternativa proteica ao consumo de carne e, depois de vários meses de pesquisa, descobrimos que em 100 gramas de grilo, 70 gramas são de proteína, o que é considerado uma ‘bomba proteica’, contou à Lusa, Rita Rocha, professora responsável pelo projeto.

Ao utilizar os grilos domésticos, o projeto “ENTOFARM.PT”, surge como uma “alternativa segura” à carne e representa “uma pegada ecológica muito menor”.

Decidimos abraçar esta espécie pelas qualidades nutricionais que tem, tendo também em conta que o grilo está distribuído por quase todo o planeta e que não é uma espécie em extinção”, explicou Rita Rocha.

Testes em laboratório

Depois de realizarem vários testes em laboratório a 500 grilos, os três jovens do Colégio Luso-Francês, Mário Ribeiro, João Maria Leite e Catarina Brandão, conseguiram chegar “a uma solução de compromisso com mortalidade zero, e assim, garantir dois mil indivíduos por caixa”.

Inicialmente comprámos 500 grilos, que foram submetidos a várias análises laboratoriais. Aferidos todos os parâmetros de análise, conseguimos obter, numa caixa ao fim de um ciclo inteiro de vida [oito semanas], cerca de dois mil indivíduos para venda”, frisou a professora.

Segundo Rita Rocha, uma vez que seria “difícil um ocidental comer um grilo”, a equipa dos jovens cientistas optou por transformar o animal em farinha, que pode “ser introduzida como suplemento em outros alimentos”.

A equipa do projeto “ENTOFARM.PT” está agora em “negociações com empresas” para a utilização deste suplemento na aquacultura como alternativa às rações dos peixes, contudo, a professora sublinha que “próximo desafio é remover o teor de gordura” que têm os grilos domésticos.

Os três jovens portugueses vão representar Portugal na 30ª edição do Concurso Europeu de Ciência para Jovens Cientistas, que decorre de 14 a 19 de setembro, em Dublin, na Irlanda.

Promovido pela Comissão Europeia, o concurso, que envolve as áreas da Biologia, Ciências do Ambiente, Ciências Médicas, Ciências Sociais, Economia, Engenharias, Ciências da Computação e Física, conta com cerca de 100 projetos oriundos de 40 países.

A representar o país vão estar ainda mais duas equipas de jovens portugueses que também se destacaram na 12ª Mostra Nacional de Ciência, realizada em junho e promovida pela Fundação da Juventude.