Um estudo da Universidade de Londres, em parceria com a sociedade de Alzheimer e o centro de pesquisa de Alzheimer do Reino Unido, sugere que cerca de um terço dos casos de demência podem ser evitados.

Os resultados da investigação, publicados esta quinta-feira na revista The Lancet, permitem concluir que existem nove fatores que podem evitar a progressão da doença, recomendações que podem ser seguidas desde a infância até a terceira idade. 

Não existe uma forma comprovada de evitar a doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, mas o estudo aponta para fatores a ter em conta e que podem retardar ou até mesmo evitar que cerca de uma em três pessoas venham a desenvolver a doença (cerca de 35% dos casos). Fatores como o sedentarismo ou a falta de interação social podem tornar o cérebro mais vulnerável a problemas de memória e de raciocínio à medida que se envelhece.

Segundo o estudo, ao aumentar a educação durante a juventude, cuidar da perda de audição, evitar a obesidade e a hipertensão, o risco de demência pode ser reduzida em pelo menos 20%.

Na velhice, parar de fumar, tratar a depressão, aumentar a atividade física, aprimorar o contato social e controlar a diabetes pode reduzir a incidência da doença em mais 15%.

A potencial magnitude dos efeitos da redução desses fatores de risco sobre a demência é maior do que poderíamos imaginar com qualquer medicamento experimental que temos à disposição. Mitigar os fatores de risco fornece-nos um caminho poderoso para reduzir a demência a nível global”, lê-se no estudo.

A Alzheimer Doença Internacional (ADI) estima que existem mais de 46 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, valor que pode subir parar 131 milhões em 2050.

Estima-se que o atraso da doença num ano poderia impedir mais de 9 milhões de casos de demência até 2050. Com um atraso de cinco anos poderia reduzir-se para metade a existência de demência globalmente”.

Mais de metade do aumento global irá ocorrer em algumas das maiores economias do Mundo, países que não fazem parte do G7, incluindo países com um grande aumento populacional como é o caso do Brasil, China, Indonésia, México e Turquia.

O que é a demência?

A demência é um termo abrangente para descrever a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais.

A demência desenvolve-se alguns anos antes de as pessoas sentirem os seus sintomas e começa a manifestar-se por volta da meia-idade, entre os 40 a 65 anos. A doença de Alzheimer é a mais comum constituindo cerca de 50% a 70%.

A demência pode ser hereditária (a maioria dos casos não o é e irá depender da causa), daí a importância de existir um diagnóstico médico correto.