O Observatório Permanente Violência e Crime (OPVC), da Universidade Fernando Pessoa, desenvolveu uma aplicação informática para agentes de segurança que tem como objetivo “desencorajar e prevenir o crime”.

De acordo com informação disponibilizada à Lusa pelo OPVC, o objetivo é a “recolha e a sistematização da informação”, considerada “fundamental para encontrar soluções e priorizar decisões”.

O projeto vai ser apresentado no I Colóquio Internacional Violência, Crime e Desvio – Questões de In/Segurança e Policiamento, a realizar na quinta e na sexta-feira, em instalações da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.

A ferramenta PrevCrime, desenvolvida pelo OPVC – UFP, permite “automatizar o processo de recolha e sistematização da informação in loco ou remotamente através de uma aplicação informática sobre dispositivos móveis”.

De acordo com os autores do projeto, “o PrevCrime pode ser utilizado por qualquer agente de segurança que possua um dispositivo móvel android” e, desta forma, “registar os locais identificados ao longo das suas tarefas”.

“Os dados recolhidos são analisados por forma a apoiar na decisão dos locais que necessitam de intervenção e encaminhados para a entidade competente por forma a prevenir a prática de crimes”.


A especialista em Ciências Sociais, Psicologia/Delinquência, Laura Nunes, que com o sociólogo Rui Maia coordena o OPVC, referiu que no colóquio será também apresentado “um estudo de natureza quantitativa e de caráter descritivo e exploratório”, sobre tráfico de seres humanos.

O objetivo principal deste trabalho foi “captar qual o conhecimento e a perceção que uma amostra da população portuguesa tem sobre o fenómeno de tráfico de seres humanos”, explicou.

A amostra intencional foi constituída por 130 participantes, de ambos os sexos e com idades superiores a 16 anos, que se encontravam desempregadas ou que buscavam emprego e estavam inscritos nos GIP (Gabinete de Inserção Profissional).

A recolha de dados foi realizada através do questionário “Conhecimento e Perceção sobre o Tráfico de seres Humanos”.

“Os resultados levam-nos a refletir sobre a necessidade de ações preventivas com vista à diminuição do risco de envolvimento no TSH, que passem pela informação e desconstrução de ideias preconcebidas que pouco ou nada contribuem para o combate a esta forma de crime”, afirmou.