Um mestrado de Património Europeu, Multimédia e Sociedade de Informação, coordenado pela Universidade de Coimbra (UC), foi distinguido pela Comissão Europeia num concurso de boas práticas de criatividade e inovação, escreve a Lusa.

Realizado em parceria com as Universidades de Colónia (Alemanha), Turku (Finlândia) e Lecce (Itália), o mestrado é um dos 35 projectos financiados pela Comissão Europeia e agora distinguidos a propósito do Ano Europeu da Criatividade e Inovação.

Narrativa «transmedia» adaptada às novas tecnologias

Joaquim Ramos de Carvalho, coordenador do mestrado, revelou à Agência Lusa que se trata de um dos dois projectos universitários, entre os 35, cujo prémio foi a inclusão na publicação «Creativity and Innovation: Best practices from EU programmes», onde figuram outros de países como Grécia, Alemanha, França, Itália, Finlândia, Suécia e Dinamarca.

O Mestrado Europeu em Património Europeu, Multimédia e Sociedade de Informação visa formar especialistas dotados de «uma combinação rara de competências, tendo formação avançada em três áreas: humanidades, novas tecnologias, treino sobre criação, gestão e planeamento de projectos complexos», disse o docente de História na Faculdade de Letras de Coimbra.

Na óptica de Joaquim Ramos de Carvalho, um dos factores que terá contribuído para a distinção foi a aposta na «mistura criativa de saber humano e novas tecnologias, para responder às necessidades, que são infinitas, de produção de novos conteúdos, e à qual só as humanidades conseguem responder».

Criatividade e imaginação

«É o desenvolvimento de conteúdos que implica criatividade e imaginação que permite que as tecnologias possam ser aproveitadas», frisou, acrescentando que esta é uma exigência crescente com o avanço das novas tecnologias e da sua acessibilidade aos cidadãos.

Um relatório da União Europeia publicado em 2006 concluiu que ¿a indústria dos conteúdos culturais é uma indústria em forte expansão. Quanto mais avança a tecnologia (internet, jogos, TV cabo, etc.) maior é a necessidade de produzir novos conteúdos, dando origem à chamada «fome de conteúdos».

O facto de um cidadão ter no bolso um dispositivo que lhe permite ter acesso a conteúdos cria «oportunidades imensas, para saber o que existe no local» onde se encontra, nomeadamente em termos culturais e patrimoniais, explicou.

Combinação versátil

Segundo Ramos de Carvalho, este mestrado, que envolve a Faculdade de Letras e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, proporciona competências que a universidade nas Humanidades não faculta em conjunto, como são a gestão de projectos, domínio das tecnologias e produção de conteúdos.

Para o docente, é também inovador em termos de empregabilidade, pois oferece aos licenciados em Humanidades uma combinação versátil de conhecimentos e competências que lhes permitam ter um papel relevante na criação, planeamento e execução de projectos complexos para a indústria multimédia, instituições culturais ou agências governamentais.

O mestrado é frequentado por 16 estudantes, entre eles finlandeses, canadianos, portugueses e polacos, e o facto de se desenvolver em ambiente internacional representa também uma mais-valia, ao levar os participantes a «aprender a colaborar», salientou.

No âmbito deste mestrado, cada instituição lecciona a sua especialidade científica: Coimbra a produção de jogos de computador, Colónia em bibliotecas digitais, Turku em e- Learning e Lecce em sistemas de informação histórico-geográficos.