Um professor e investigador do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) está a desenvolver um projeto pioneiro ao nível da reação cerebral quando se está a provar um produto ou a visionar um vídeo de publicidade.

O docente e investigador do IPCB João Valente iniciou o projeto há cerca de oito meses e, neste momento, está a trabalhar em parceria com o Centro de Apoio Tecnológico Agro Alimentar (CATAA) no teste de produtos a nível agroalimentar.

"Nos testes de prova de novos produtos, estudamos a reação cerebral das pessoas e a partir daqui conseguimos estratificar o posicionamento de um produto, se gostam mais ou menos, mas isto vai muito além do inquérito escrito tradicional", explicou hoje à agência Lusa, João Valente.

O investigador recorre a três equipamentos de diagnóstico médico (Eye-Traking, Biofeedback e Eletroencefalografia ou EEG) para efetuar o estudo.

"Basicamente, o que tento associar é qual a resposta cerebral a determinadas questões e com o recurso a estes três equipamentos consegue-se fazer uma coisa que não é possível de outra forma, que é monitorizar em cada momento o que está a acontecer a nível cerebral", explica.


Segundo o investigador, o projeto tem imensas aplicações, mas neste momento está focado ao nível dos produtos alimentares e da publicidade.

"Isto vai trazer uma grande mais-valia, que é perceber até que ponto é que uma publicidade, por exemplo, está a criar uma imagem negativa ou positiva de um produto", afirma.


João Valente sublinha ainda que "são respostas que não se conseguem retirar de um questionário tradicional" e adianta existir “aqui uma resposta em tempo real do que é que está a influenciar a pessoa".

Este projeto permite que as agências de marketing, por exemplo, percebam em tempo real o que é que está errado num determinado anúncio.

A partir daí, permite evitar erros em campanhas de marketing e, claro, poupanças enormes para as empresas, além de evitar ainda que haja uma publicidade negativa a um produto.

"Estamos a falar de respostas na ordem dos milissegundos que consigo medir. O que é verdadeiramente inovador é podermos estudar e perceber quais são as reações que as pessoas estão a ter aos produtos ou vídeos em tempo real", concluiu.


O investigador está também a desenvolver uma ideia de negócio no Centro de Empresas Inovadoras (CEI) de Castelo Branco, precisamente para colocar no mercado esta investigação.