Cientistas da NASA descobriram que o pó formado no deserto do Saara percorre mais de 4800 quilómetros, através de ventos fortes, e fertiliza a floresta Amazónica, naa América do Sul. A conexão entre o deserto e a floresta já tinha sido descoberta em 2006, mas o novo estudo da «Geophysical Research Letters», liderado por um investigador da NASA, Hongbin Yu, consegue uma melhor compreensão do «quanto» a poeira viaja no ar e como ela é importante.



Há mais de 7mil anos, o deserto tinha um lago, «Mega-Chad», rico em algas e microrganismos que devido às alterações climáticas secou e deixou uma poeira rica em nutrientes. O vento formado por duas cadeias montanhosas no Oriente, faz levantar a poeira que, uma vez no ar, viaja milhares de quilómetros através do oceano. O pó, aparentemente estéril do Saara, contém um ingrediente chave para o crescimento das plantas da floresta, o fósforo.
 

«Esta poeira acaba por ser crucial. As folhas em decomposição e a matéria orgânica, que entram no solo e são rapidamente absorvidos, fornecem a maioria dos nutrientes às plantas e árvores. Mas alguns nutrientes, nomeadamente o fósforo, são levados pelas chuvas nos regueiros e rios e drenados para a bacia amazônica como uma banheira a vazar lentamente», explica o relatório da NASA. 


Através de satélites, os investigadores descobriram que os ventos transportam por ano, em média 27,7 milhões de toneladas de poeira, onde 22 mil toneladas são de fósforo, aproximadamente a mesma quantidade que é levada pelas chuvas para longe do solo amazónico.

Esta investigação não só mostra como partes tão distantes do mundo podem estar ligadas entre si, como também levanta algumas questões que os cientistas pretendem vir a descobrir, como «há quanto tempo o Saara