Pouco se sabia até momento sobre o que se encontra no interior do maior planeta do Sistema Solar, mas a sonda espacial Juno da NASA veio agora revelar detalhes inéditos sobre Júpiter. Os dados recolhidos pela sonda mostram que o que se passa no centro do planeta, composto por 99% de hidrogénio e hélio, é tão estranho e turbulento quanto a sua superfície.

Os dados recolhidos pela Juno foram analisados por especialistas e publicados em quatro estudos na revista especializada Nature.

Se toda a gente é capaz de reconhecer Saturno pelos seus anéis, o mesmo acontece com Júpiter e a sua Grande Mancha Vermelha, além das riscas compridas e grossas que envolvem o planeta. 

Galileu viu as riscas em Júpiter há mais de 400 anos. Até agora, nós só tínhamos uma compreensão superficial delas", disse à AFP Yohai Kaspi, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor de um dos quatro estudos publicados na Nature.

Os investigadores descobriram que a atmosfera de Júpiter é mais profunda do que o que se imaginava e que os seus polos são cobertos por agrupamentos geométricos de ciclones.

Até uma profundidade de cerca de três mil quilómetros, os dados de Juno mostraram que Júpiter tem redemoinhos psicadélicos de faixas de nuvens e correntes de ar impulsionadas por ventos fortes em direções opostas e em diferentes velocidades.

Os cientistas descobriram ainda que, no centro do planeta, o núcleo líquido de hidrogénio e de hélio gira de modo uniforme, comportando-se quase como um corpo sólido.

O resultado é uma surpresa, pois indica que a atmosfera de Júpiter é mais maciça e profunda do que se imaginava", disse ainda Yohai Kaspi.

 

É um enigma de quase 50 anos na ciência planetária que está resolvido", disse ainda à AFP outro autor do estudo, Tristan Guillot, da Universidade Cote d'Azur na França.

Os dados revelaram também que o polo norte de Júpiter possui uma constelação de nove ciclones e o sul de seis, algo que não se encontra em nenhum outro planeta do Sistema Solar. A velocidade dos ventos em alguns locais pode ultrapassar a um de furacão de categoria 5, atingindo os 350 km/h.

Não se sabe como os ciclones são formados ou como persistem sem se fundir.

"A primeira e mais importante questão a que Juno pretende responder é como é que o nosso Sistema Solar foi formado e, consequentemente, saber mais sobre a sua evolução", afirmou à AFP Alberto Adriani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, autor de um dos estudos.

"Qualquer conhecimento que possamos acrescentar ao entender Júpiter, que é provavelmente o primeiro planeta formado [ao redor do Sol], é um passo nessa direção", acrescentou.

Lançada pela NASA em 2011, a sonda Juno orbita Júpiter desde julho de 2016. É a segunda sonda que recolhe informações sobre o quinto planeta do Sistema Solar. A primeira, Galileu, esteve ativa entre 1995 e 2003.