Ameaças, pesquisas manipuladas e roubos de conteúdos. Nos últimos anos, a Google foi alvo de múltiplas queixas por parte de várias empresas devido à forma como controlava o mercado. As suas ações foram descritas como práticas anti competitivas por parte de entidades oficiais, escreve o «Business Insider».

A gigante tecnológica foi alvo de uma investigação, em 2012, por parte da Federal Trade Commission (FTC), uma agência independente, sob a alçada do Governo norte-americano, que visa proteger os interesses dos consumidores. O relatório dos investigadores, nada simpático para a Google, só recentemente, devido a um erro, foi tornado público. Primeiro pelo «The Wall Street Journal» e agora também pelo «Business Insider».

Apesar de alguns especialistas terem sugerido processar a Google, o processo acabou por não avançar. Um dos principais motivos para a ação judicial, segundo o documento agora tornado público, prendia-se com o roubo de conteúdo da concorrência para melhorar os seus próprios sites». A Yelp, o TripAdvisor e a Amazon.com Inc foram alguns dos afetados por esta prática.

O relatório cita, por exemplo, a usurpação dos rankings de venda da Amazon para posicionar os seus próprios artigos. Tal como, a cópia de críticas e pontuações.

Confrontados diretamente pelos concorrentes visados, a Google ameaçou retirar os seus conteúdos das suas pesquisas.

«É óbvio o objetivo da ameaça e o objetivo foi alcançado», escreveram os investigadores, «queriam coagir a Yelp e o TripAdvisor a desistir das queixas». Em última instância, as autoridades concluíram que as ações da Google provocaram «um mal real aos consumidores e à inovação».


A pressão da FTC levou a Google a mudar algumas práticas em 2013 e, só assim, a empresa evitou que a investigação prosseguisse.

De acordo com o «The Wall Street Journal», que revelou partes do relatório, a investigação permitiu perceber que a Google «era mais dominante» do que o inicialmente pensado» e que a sua quota de mercado se situava entre «os 69% e os 84%». Tal como também permitiu apurar, o gigante tecnológico colocava restrições nos sites que usavam as suas ferramentas de pesquisa ao serviço dos motores de pesquisa dos rivais Microsoft Bing e Yahoo Search.

Apesar do relatório agora tornado público é pouco provável que a investigação seja reaberta nos Estados Unidos, mas pode dar força a outros processos que estão a decorrer na Europa. Vários membros do Parlamento Europeu exigiram, por exemplo, que a Google seja obrigada a separar motor de pesquisa dos seus restantes negócios.