O cientista japonês Takao Someya queria criar uma pele artificial que permitisse que um robô pudesse detetar emoções humanas quando contactasse com pele real, durante um aperto de mão, por exemplo. Anos de investigação levaram-no a produzir algo diferente e que pode mudar a medicina modera: uma segunda pele, eletrónica, que conseguirá detetar tumores.

Quando Someya começou a desenvolver este projeto, há 15 anos, já existiam outros semelhantes, porém, enquanto os seus colegas usavam matérias rijos como silicone, o cientista tentou progredir para algo mais flexível, e que melhor imitasse as capacidades elásticas da pele.

Tatuada no corpo ou incorporada na roupa, as possibilidades de uso para esta “e-skin” em humanos são vastas, mas a ideia começou com robôs, disse Someya à norte-americana CNN.

Imaginei uma cena futurística com um robô a apertar a mão a alguém e a detetar as suas emoções, como paixão, ou tristeza”.

Começou por utilizar dinaphtho thieno thiophene (DNTT), usado, por exemplo, para as listas de segurança das notas, e a ligá-lo a sensores capazes de detetar calor entre 30 a 80 graus com semicondutores orgânicos. Estes eram depois colocados ao lado uns dos outros, como uma rede, de forma a excluir a necessidade de fios.

Por fim, as “redes” são colocadas sobre película de plástico, que além de barato, permitia cobrir o corpo de um robô sem estragar o material. Só havia um problema a resolver: a pele biónica não esticava. No entanto, um grupo de cientistas da Universidade de Princeton, EUA, que também está a trabalhar em pele artificial, ajudou.

Ainda de acordo com a CNN, esta equipa, liderada por Sigurd Wagner, usava borracha para fazer a sua e-skin. Someya aproveitou a ideia e passou unir a sua “pele” a borracha. Foi a união perfeita, a pele artificial agora esticava.

Nesta altura, em 2014, Someya e a sua equipa de investigadores da Universidade de Tóquio perceberam que a tecnologia não podia ficar limitada a robôs e que podia ser usada em humanos, sobre a pele real.

Durante uma cirurgia a um rato, os investigadores fizeram o teste: colocaram a e-skin sobre o coração do animal durante três horas. Foi feito um eletrocardiograma e a pele biónica foi capaz de detetar um defeito no coração do rato.

Someya explicou que em alguns anos uma luva feita com este material pode ajudar um médico a detetar um tumor apenas pelo toque, ou a prevenir um ataque cardíaco, já que também pode monitorizar os batimentos cardíacos e pressão arterial.