A equipa de astrónomos que descobriu o planeta rochoso extrassolar mais próximo da Terra inclui um português, Pedro Figueira, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

O investigador explicou à Lusa que participou nas observações do planeta, o HD 219134b, e da sua estrela, bem como no desenvolvimento dos "programas de computador utilizados para analisar os dados" recolhidos a partir de dois telescópios, "de modo a obter informações mais precisas".

A agência espacial norte-americana NASA anunciou, na quinta-feira, em comunicado, a descoberta do exoplaneta, localizado a 21 anos-luz da Terra, mas com um diâmetro 1,6 vezes maior do que o do 'planeta azul' e com uma massa 4,5 vezes superior.

A 'super Terra', por estar muito perto da sua estrela, não tem condições para albergar vida tal como se conhece.

"Está demasiado perto da sua estrela para que exista água em estado líquido à sua superfície", precisou Pedro Figueira, enaltecendo que se trata, no entanto, de um "planeta extraordinário", uma vez que "é rochoso", tal como a Terra, e gira "em torno de uma estrela extremamente brilhante e próxima" do 'planeta azul', podendo, por isso, ser "estudado com grande detalhe".


O HD 219134b pode ser visto diretamente, mesmo com telescópios, e a sua estrela é observável a olho nu, em céu escuro, na constelação de Cassiopeia, próximo da estrela polar.

A estrela dista do planeta 5,7 milhões de quilómetros, sensivelmente um décimo da distância que separa Mercúrio do Sol, segundo uma nota do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

O exoplaneta HD 219134b, que completa uma órbita em três dias, é o planeta, fora do Sistema Solar, mais próximo da Terra a ser observado em trânsito, a passar em frente da sua estrela.

O cálculo da densidade desta 'super Terra' foi conseguido a partir da medição do seu raio e da sua massa.

O método dos trânsitos, que consiste na medição da redução da luz de uma estrela pela passagem de um exoplaneta à sua frente, permitiu determinar o raio do HD 219134b. Em contrapartida, o método das velocidades radiais possibilitou obter a massa do planeta, "medindo pequenas variações na velocidade da estrela", causadas pelo movimento que a órbita dos exoplanetas "imprime na estrela", explica o IA.

De futuro, os astrónomos propõem-se medir a massa e o raio do exoplaneta com mais detalhe, caracterizar melhor a sua luz e a da sua estrela, compreender se tem e como é a sua atmosfera, saber como se formou o planeta e por que motivo está tão próximo da sua estrela.

O HD 219134b foi inicialmente descoberto com o auxílio do espetrógrafo HARPS do telescópio italiano Galileu, instalado nas Canárias, Espanha.

Posteriormente, os astrónomos seguiram a 'super Terra' com o telescópio espacial Spitzer, da NASA, e detetaram a sua passagem em frente à sua estrela.

O sistema planetário HD 219134, ao qual pertence este exoplaneta, é formado por mais três planetas, mas menos próximos da Terra. Dois deles são relativamente pequenos, apesar de rochosos, e não estão muito longe da 'estrela-mãe'. Um terceiro é um 'planeta gigante', com uma massa 62 vezes superior à da Terra.