A Chemical Heritage Foundation, uma fundação norte-americana sediada em Filadélfia, tornou público recentemente o conteúdo de um manuscrito do século XVII pertencente ao famoso físico Isaac Newton, conhecido por ser o “pai da gravidade”, ao lançar as bases da lei da gravitação universal, depois de uma maçã lhe ter caído na cabeça em 1666.

De acordo com a BBC News, o documento, que inclui descrições de experiências realizadas por Newton, além de escritos de outro químico bem conhecido, George Starkey, delineia uma receita para o “mercúrio filosófico”, que na época se pensava ser um ingrediente-chave na criação da mítica “pedra filosofal” ou fórmula para a imortalidade.

Obter uma pedra filosofal era um dos principais objetivos dos alquimistas na Idade Média. Acreditava-se que a substância “mágica” podia transformar em ouro qualquer “metal inferior” como chumbo, ferro e mercúrio. Além disso, havia a crença na sua propriedade de imortalidade, que nos tornaria jovens para sempre.

“Pensava-se que o mercúrio filosófico era uma substância que poderia ser usada para quebrar metais nas suas partes constituintes”, disse James Voelkel, curador de livros raros na Chemical Heritage Foundation, ao site Chemistry World.

A fórmula para o elixir da vida

O texto, escrito à mão por Isaac Newton em latim e em inglês, foi identificado como uma cópia de um documento anterior com o mesmo título, escrito pelo famoso alquimista do século XVII, Ireneu Filaleto (que pode ter sido um pseudónimo do químico formado em Harvard, George Starkey), que Newton usou como referência para as próprias experiências alquímicas.

A primeira versão conhecida impressa desta fórmula foi publicada em 1678, de forma que Isaac Newton pode ter escrito à mão a própria cópia antes disso.

Durante séculos, a pedra filosofal foi o objeto mais procurado da alquimia, até que os cientistas descobriram que essa prática e tudo o que ela prometia era totalmente impossível e nem sequer valia a pena perseguir.

Não está claro se Newton de facto chegou a tentar fazer a fórmula de mercúrio filosófico, mas James Voelkel afirma que “não teria sido estranho” se o físico tivesse tentado.

Outras experiências

Apesar de não se saber se Isaac Newton tentou fazer uma pedra filosofal, sabe-se de outras experiências em que ele estava a trabalhar na mesma altura, graças às notas que rabiscou em volta da receita copiada.

“É frequentemente o caso com os manuscritos de Newton. Se os tem à mão por tempo suficiente, ele vira-os e escreve outra coisa na parte de trás”, afirmou James Voelkel. “Nesta altura, há uma nota de uma experiência que ele fez. É uma fórmula para destilar um líquido volátil a partir de minério de chumbo”.

Isaac Newton escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia ao longo da vida.

E, embora a alquimia não tenha o prestígio internacional de que a própria física se orgulha, é inquestionável que ambas tiveram um papel importante na vida do génio.

No final de contas, a alquimia contribuiu para o desenvolvimento da ciência moderna.

Talvez agora já não nos interesse mais a pedra filosofal, mas continuamos à procura do segredo da juventude eterna.

E Isaac Newton, à maneira dele, conseguiu ser imortal.

O manuscrito foi originalmente vendido com dezenas de outros por parentes de Isaac Newton a coleções particulares durante os anos 1930. Desde então têm voltado aos poucos para instituições públicas, incluindo lugares pelos quais o físico passou, como a Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

A Chemical Heritage Foundation digitalizou o manuscrito e ele ficará disponível no “The Chymistry of Isaac Newton Project”, um banco de dados online da Universidade de Indiana, nos EUA, a que qualquer pessoa pode aceder de forma gratuita.