Mais de 70,000 pessoas pediram ao Google para apagar ligações sobre si devido à decisão «direito a ser esquecido», com alguns dos maiores sites noticiosos a serem os primeiros a ser afetados, informou hoje a empresa.

O motor de busca restringiu o acesso a uma história de um blogue da BBC e várias histórias de jornais ingleses devido a uma decisão legal que dá às pessoas o direito a ser esquecido no motor de busca.

O Google informou que tinha recebido mais de 70,000 pedidos desde que pôs o formulário online dia 30 de maio, devido à decisão do Tribunal de Justiça Europeu.

O tribunal disse que os indivíduos têm o direito a ter ligações para informações sobre eles apagados de procuras online em certas circunstâncias, tais como a informação ser antiga ou estar errada.

O jornal The Guardian afirmou que tinha sido notificado sobre seis ligações para histórias que tinham sido removidas de resultados de procuras, três delas sobre uma controvérsia em 2010 envolvendo um árbitro escocês da Premier League, agora reformado.

O jornal disse que o Google não deu nenhuma razão para remover a ligação nem apresentou nenhuma hipótese de recurso.

O Mail Online, o maior site noticioso do mundo, afirmou ter recebido notificações sobre a remoção de ligações referentes a uma história sobre o mesmo árbitro escocês, Dougie Mcdonald.

Outras histórias restringidas incluem uma sobre um casal que foi apanhado a fazer sexo num comboio, e outra sobre um homem muçulmano que acusou as linhas aéreas Cathay Pacific de se recusarem a dar-lhe trabalho devido ao seu nome.

«Estes exemplos mostram o disparate que o direito a ser esquecido é. É o equivalente a ir a bibliotecas queimar livros de que não se gosta», afirmou Martin Clarke, o editor do Mail Online.

Clarke disse que o website irá publicar regularmente listas de artigos removidos dos resultados de procura europeus do Google, enquanto a BBC e o The Guardian publicaram ligações para as histórias restritas.

As ligações permanecem visíveis no Google.com, a versão americana do site, e as restrições aparentam relacionar-se com certos termos usados na procura.

Um comentário no site do The Guardian notou que uma procura por Dougie McDonald já não mostrava a sua história no Google.co.uk, endereço britânico do motor de busca, mas que uma procura por «árbitro escocês que mentiu» mostrava a história.

O Google, o motor de busca mais usado do mundo, disse que cada pedido para «ser esquecido» seria examinado individualmente para determinar se se encontra dentro dos critérios da lei.

Uma porta-voz da Google afirmou à AFP que «só agora começamos a trabalhar nos pedidos de remoção que recebemos após a decisão do tribunal de justiça europeu», adicionando que «este é um processo novo e em evolução para nós. Iremos continuar a ouvir as respostas sobre as remoções e vamos também trabalhar com autoridades de proteção de dados enquanto cumprimos com a decisão europeia».