Uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, criou um «piercing» corporal magnético que permite controlar cadeiras de rodas e computadores através de um movimento com a língua. Os investigadores acreditam que a nova técnica pode transformar a maneira como as pessoas interagem com o mundo depois da paralisia, noticia a BBC.

Os tetraplégicos já possuíam diversas opções hoje em dia, inclusive a tecnologia «inspire e expire», utlizada pelo ator norte-americano Christopher Reeve antes de ter falecido em 2004, na qual a cadeira de rodas é manobrada pelo ato de se respirar dentro de um tubo. Mas Maysam Ghovanloo, professor assistente de engenharia de computadores no Instituto de Tecnologia da Geórgia, queria criar uma tecnologia que fosse mais agradável esteticamente, sem tubos a obscurecer o rosto, e mais intuitiva para os utilizadores, que proporcionasse melhor controlo e maior flexibilidade.

Depois de ter trabalhado durante mais ou menos cinco anos no sistema de controlo de cadeiras de rodas pela língua, Ghovanloo realizou os testes clínicos em conjunto com a Northwestern, o Instituto de Reabilitação de Chicago e o Centro Shepherd, em Atlanta. Os resultados aparecem agora publicados no jornal «Science Translational Medicine».

Para conduzir a cadeira de rodas, o paciente tem que usar um capacete com sensores que captam o sinal magnético do «piercing». Mover a língua para o canto superior esquerdo da boca, por exemplo, faz com que a cadeira se mova para a frente. Um toque em cada dente, outro exemplo, pode sinalizar um tipo diferente de comando, de ligar a televisão, atender o telefone ou abrir a porta.

Em declarações à BBC, Maysam Ghovanloo explica que decidiu usar a língua porque queria tirar vantagem de algumas das funções ainda existentes em pacientes severamente deficientes.

«A língua não se cansa com facilidade e geralmente não é afetada por uma lesão na espinhal medula porque está diretamente ligada ao cérebro através de um nervo craniano», explica.