Grandes animais marinhos que viveram há mais de 500 milhões de anos alimentavam-se de maneira semelhante às baleias modernas, filtrando água e capturando plâncton e pequenos animais através de «barbas», revela esta quarta-feira um estudo da revista Nature.

O trabalho publicado na revista científica por uma equipa liderada por Jakob Vinther, da universidade britânica de Bristol, dá conta da descoberta, em 2009, na Groenlândia, de fósseis da espécie «Tamisiocaris», da família dos «anomalocarídios», que viveu no período Câmbrico, o primeiro dos seis da era Paleozóica.

A análise dos fósseis revelou apêndices bucais de grandes dimensões, semelhantes às «barbas» das baleias atuais.

De acordo com o estudo publicado na Nature, os «Tamisiocaris», cujos fósseis foram datados de entre 480 e 520 milhões de anos, nadavam graças a barbatanas peitorais, que os cientistas consideram poderem ter servido também para ajudar a capturar presas de maiores dimensões, como as trilobites, animais da classe dos artrópodes, muito abundantes no período câmbrico.

Jakob Vinther diz na Nature que os fósseis permitiram decifrar a maneira como algumas dessas criatura se converteram em «vertebrados suspensívoros», animais de movimentos lentos que se alimentavam de espécies marinhas mais pequenas, como plâncton e crustáceos, que viviam em suspensão na água.