A NASA anunciou esta quinta-feira a descoberta do planeta rochoso extrassolar mais próximo da Terra, mas maior do que o "planeta azul".

O exoplaneta em causa, chamado HD 219134b, está a 21 anos-luz da Terra, mas orbita muito perto da sua estrela para albergar vida, refere a agência espacial norte-americana em comunicado.
A 'super Terra' pode ser vista diretamente, mesmo com telescópios, e a sua estrela é observável a olho nu, em céu escuro, na constelação da Cassiopeia, próximo da estrela polar.

Segundo a mesma nota, o HD 219134b é também o planeta, fora do Sistema Solar, mais próximo da Terra a ser detetado em trânsito, a passar em frente da sua estrela, e, por isso, é um corpo celeste ideal para futuros estudos, nomeadamente para se perceber se tem atmosfera.

Se o HD 219134b tiver atmosfera, a sua composição química pode imprimir uma 'assinatura' na luz da estrela observada.

"Este exoplaneta será um dos mais estudados nas próximas décadas", afirmou o investigador Michael Werner, da NASA.


O planeta foi inicialmente descoberto com o auxílio do instrumento HARPS do telescópio italiano Galileu, instalado nas Canárias, Espanha.

Usando o método da velocidade radial (a velocidade de uma estrela ao longo da linha de vista de um observador), os astrónomos calcularam que o HD 219134b tem uma massa 4,5 maior do que a Terra e demora três dias a completar uma volta em torno da sua estrela.

Posteriormente, os astrónomos seguiram a 'super Terra' com o telescópio espacial Spitzer, da NASA, e detetaram a sua passagem em frente da sua estrela.

Os dados recolhidos do telescópio, no registo da radiação infravermelha, revelaram que o tamanho do HD 219134b é 1,6 vezes maior do que a Terra.

Combinando o tamanho e a massa do exoplaneta, os astrónomos chegaram à sua densidade e confirmaram que se trata de um planeta rochoso, tal como a Terra.

A principal autora da investigação, Ati Motalebi, astrónoma do Observatório de Genebra, na Suíça, crê que o HD 219134b será o alvo ideal para um estudo, mais detalhado, com o telescópio espacial James Webb, em construção e cujo funcionamento está previsto para 2018.

O sistema planetário ao qual pertence este exoplaneta é formado por mais três planetas, mas menos próximos da Terra. Dois deles são relativamente pequenos e não estão muito longe da sua estrela.

O trabalho, hoje divulgado, foi aceite para publicação na revista Astronomy and Astrophysics.

De acordo com a NASA, o planeta extrassolar mais próximo da Terra, o GJ674b, está a 14,8 anos-luz do "planeta azul", mas a sua composição é desconhecida.

Há uma semana, a agência espacial norte-americana anunciou que o telescópio Kepler detetou o primeiro exoplaneta, o Kepler-452b, na 'zona habitável' da órbita de uma estrela semelhante ao Sol, o que o torna num dos melhores candidatos a albergar vida extraterrestre.