A Universidade de Aveiro (UA) apresentou na Murtosa a Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave, que reúne de forma transversal mais de 30 investigadores de diferentes áreas, para dinamizar a bicicleta e a mobilidade sustentável.

Trata-se de uma iniciativa da Universidade, em parceria com a região, num setor com forte enraizamento na tradição socioeconómica do Baixo-Vouga, cuja apresentação incluiu no programa um passeio de bicicleta até à Torreira, integrado na X Semana Europeia do Cicloturismo, em parceria com o projeto Aveiro Empreendedor e o Parque de Ciência e Inovação (Creative Science Park).

A Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave insere-se no conjunto de plataformas tecnológicas que a UA tem vindo a criar, como as do Mar, dos Materiais e das Comunidades Inteligentes, e pretende tirar partido e valorizar a investigação e desenvolvimento que a Universidade tem vindo a fazer sobre o tema da bicicleta e da mobilidade.

«O objetivo é ajudar os vários atores que trabalham sobre o tema a desenvolver projetos inovadores. Estão envolvidos na fase inicial mais de 30 investigadores de 12 departamentos e escolas da Universidade, com formações muito distintas, desde a área do design, dos materiais, da mecânica, do planeamento do território, do turismo e da Saúde, entre outras», explicou à Lusa José Carlos Mota.

De acordo com aquele investigador, a plataforma pretende ser funcionar como agente facilitador de projetos e iniciativas virados para a bicicleta na sua vertente económica de produção, mas também de lazer e turismo.

«Queremos ajudar a transferir tecnologia e o conhecimento que vamos gerando nas diferentes áreas científicas e mais do que isso: queremos articular os vários conhecimentos e saberes em torno da bicicleta, para criar produtos e serviços ligados à noção do empreendedorismo, mas com uma visão mais alargada em que os aspetos físicos do território sejam adequados para receber esses produtos e ideias», expôs.

José Carlos Mota, «há que criar uma nova perspetiva mais amigável» do uso desse modo de transporte nos centros urbanos, sendo necessário também um trabalho de sensibilização, numa perspetiva de utilidade social.

Outra das razões que levaram a Universidade a criar a plataforma é o enquadramento regional: o Baixo Vouga é a região do país onde mais pessoas andam regularmente de bicicleta (30% das pessoas que usam a bicicleta no dia-a-dia), com um valor quase oito vezes a média nacional, que na Murtosa chega a patamares próximos dos países nórdicos.

«Temos também aqui a indústria das bicicletas, setor já com alguma relevância, e a sede da sua associação. Estamos a falar de cerca de 200 milhões de euros de valor de exportações, o que é significativo e coloca a indústria nacional como a 5ª a nível europeu na produção de acessórios e componentes e a 7ª na produção de bicicletas», sublinha o investigador.

Apesar da crise que levou ao encerramento de muitas indústrias, o setor tem conseguido evoluir e modernizar-se, participando no peso das exportações, e abrem-se novas perspetivas com a aposta na mobilidade sustentável do próximo quadro comunitário de apoio e o seu reconhecimento como estratégico pelo governo português, no acordo de parceria negociado com a União europeia.