A câmara de Miranda do Douro está promover um concurso que obriga os participantes a usar a língua mirandesa para legendarem fotos que a autarquia vai colocar na rede social Facebook.

«O concurso 'Fai-me un Laique' tem por objetivo dar a conhecer os valores materiais e imateriais da chamada Terra de Miranda e animar o uso da língua mirandesa e de todos aspetos culturais que lhe estão subjacentes», disse à Lusa um dos mentores do projeto, Alfredo Cameirão.

O concurso será desenvolvido «integralmente» na página oficial do Facebook da autarquia de Miranda do Douro, onde a cada 15 dias será publicada uma imagem alusiva à cultura, paisagem, monumentos ou tradições do concelho que terá de ser comentada, uma ou mais vezes, pelos «amigos» do Facebook.

«Os participantes terão que colocar na caixa de cometários do Facebook uma legenda escrita em mirandês e obedecendo às regras da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa e suas adendas. Aquela que mais like/gosto reunir será a vencedora. Cada poderá participar com as frases que entender», explicou o também estudioso da «lhéngua».

Os vencedores serão premiados com livros ou discos escritos e/ou cantados em língua mirandesa.

«Outra das ideias passa por, através da imagem, divulgar o património imaterial e material das Terras de Miranda, já que as redes sociais são veículo privilegiado para esse efeito, tudo porque há cada vez mais utilizadores e todo o projeto ganha visibilidade», frisou Alfredo Cameirão à Lusa.

Agora, todos os que têm apetência pela escrita e pela leitura em mirandês poderão colocar os seus conhecimentos à prova para ajudar a promover o uso do idioma.

O ensino do mirandês, como opção, nas escolas do concelho de Miranda do Douro, é ministrado desde o ano letivo 1986/1987, por autorização do Ministério da Educação.

Em 2008, foi estabelecida uma convenção ortográfica, patrocinada pela Câmara de Miranda do Douro e levada a cabo por um grupo de linguistas, com vista estabelecer regras claras para escrever, ler e ensinar o mirandês, bem para como estabelecer uma escrita o mais unitária possível e consagrar o mirandês como a segunda língua oficial em Portugal.