Investigadores de três universidades norte-americanas descobriram que o vírus zika infeta e mata as células que formam o córtex cerebral, interferindo assim no normal desenvolvimento do cérebro do feto. De acordo com um estudo publicado esta sexta-feira na revista Cell Stem Cell, o vírus chega mesmo a paralisar por completo o desenvolvimento cerebral do feto.

O estudo ajuda a clarificar a ligação entre o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, e a microcefalia, mas, alertam os próprios investigadores, não é uma prova de que o zika provoque a malformação grave.

Para o estudo, os investigadores das universidades Johns Hopkins, Florida State e Emory utilizaram três tipos de células cultivadas em laboratório e comprovaram que o vírus zika afeta de modo seletivo as células-mãe, essenciais para a formação do córtex cerebral do feto. As células ficam sem capacidade de se dividir e produzir novos neurónios e podem mesmo chegar a morrer, impossibilitando o cérebro de se formar ou de se regenerar.

De acordo com o jornal El País, que cita o estudo, os cientistas concluíram ainda que a infeção das células-mãe acontece de forma muito rápida: três dias depois da exposição ao vírus, 90% das células já tinham sido infetadas.

"Estamos a tentar completar o vazio de conhecimento entre a infeção e os problemas neurológicos. Este estudo é um passo muito preliminar, mas que responde a uma pergunta chave. Permite-nos focar a investigação. Agora podemos estudar o vírus, testar medicamentos e estudar a biologia do tipo correto de célula”, diz Hengli Tang, um dos autores do estudo e professor de ciência biológica da Universidade da Flórida, citado pelo El País.

Até agora, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, o vírus foi detetado em 47 países. O Brasil é o mais afetado e as autoridades de saúde do país detetaram já cerca de 600 casos de microcefalia.

O vírus não tem vacina e a infeção não tem tratamento. Contudo, o diretor do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, Anthony Fauci, anunciou, esta sexta-feira, que a vacina de imunização poderá começar a ser testada em humanos já em setembro deste ano.