A portuguesa Micaela Sousa está entre os 20 melhores fotógrafos do Instagram na Alemanha e estreia hoje em Berlim uma exposição conjunta com os artistas selecionados pela Post Collective e I Heart Berlin.

"O Instagram e a sua grande comunidade criativa constitui, sem dúvida, um canal para poder explorar novos lugares e conhecer pessoas. É certo que o Instagram serve como uma plataforma de divulgação do que faço mas, para mim, a fotografia vai muito para além desta rede social", disse à Lusa a fotógrafa.


Micaela Sousa, 36 anos, é cientista de formação mas fez recentemente uma pausa na Ciência para se dedicar inteiramente à fotografia, depois de ter sido contactada pela Post Collective, uma editora que distribui produtos de fotógrafos com grande presença no Instagram.

"O convite surgiu por parte da galeria que que me convidou para trabalhar com eles e pertencer ao leque de artistas que querem representar", explicou Micaela em Berlim, onde vive e trabalha.

A exposição #berlin, com curadoria de Ferdinand Prinz, Brando Wild, Olga Potschernina e Frank R. Schröder, estreia hoje na capital alemã e vai transportar as imagens dos 20 fotógrafos mais populares da Alemanha da dimensão virtual do Instagram para o mundo real.

"Vou ter em exibição uma fotografia que tirei na Capela da Reconciliação na Bernauer Strasse, tirada à luz da tarde. É uma vista popular mas de uma nova perspetiva", explicou Micaela Sousa, que se encontra no Instagram como Nomadic by Choice.


Micaela Sousa, a única portuguesa entre os artistas escolhidos e das poucas estrangeiras, sempre se interessou por fotografia, mas foi o "bonito cenário de Oxford" que encontrou quando estudou em Inglaterra que lhe despertou uma paixão pela câmaras e pela luz.

A "cena urbana" de Berlim trouxe-lhe novas perspetivas e a necessidade de mudança: "a dada altura, quando estava a passar por um momento mais difícil, percebi que a vida é muito curta para não perseguir as coisas que realmente gosto. Então comprei uma DSLR e um voo para a Islândia e, assim que aterrei, decidi intensificar a minha relação com a fotografia", explicou.

Micaela trocou o laboratório e a universidade pelas câmaras fotográficas e sonha um dia trabalhar como fotógrafa profissional.

Até lá, está a preparar as próximas viagens, incluindo uma expedição polar, e está a trabalhar no projeto Displacement, que "irá explorar uma espécie de dualidade".

"Dualidade no sentido de ter as minhas raízes em Portugal mas continuar a crescer noutros sítios", concluiu a fotógrafa.