O Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, vai fabricar um supercomputador dedicado à meteorologia, que permitirá resultados sobre o estado do tempo de hora a hora, ao contrário das três habituais. A sua instalação permitirá modelos mais detalhados de previsão meteorológica. 

 
«Vai permitir acrescentar mais precisão, mais detalhes, mais rigor nas previsões em todas as escalas de tempo para o dia seguinte, para a próxima semana, o próximo mês e até o próximo século», disse Rob Varley, chefe-executivo do Met Office, à BBC.

O computador será construído em Exeter, Inglaterra, e prevê-se que estará operacional em setembro de 2015. O Met Office afirmou que seria uma «mudança radical» na precisão das previsões meteorológicas.
 
  
Para além das previsões com maior frequência, quer para o Reino Unido, quer a nível global, a nova tecnologia permitirá uma avaliação mais detalhada, por exemplo, das previsões de velocidade do vento, do nevoeiro e da neve, que vão poder ser enviadas aos principais aeroportos com uma resolução espacial de 300 metros. 

Os cientistas do clima também vão poder beneficiar com este «supercomputador do tempo», que lhes permitirá elaborar modelos mais detalhados e em escalas temporais mais longas.

O novo sistema será acolhido em parte na sede do Met Office, em Exeter e, em parte, no Parque da Ciência Exeter, e atingirá a capacidade plena em 2017. Nesse momento, o  «Cray XC40»  terá uma enorme capacidade de processamento, tendo  12 vezes mais unidades de processamento do que o atual supercomputador do Met Office, feito pela IBM. Também será três vezes mais pesado, com 140 toneladas. 

«Vai ser um dos melhores computadores do mundo de alto desempenho e vai transformar a capacidade de análise do Met Office», disse Greg Clark, o ministro da Ciência. «Isso faz-nos líderes mundiais não só a falar sobre o tempo, mas também a prevê-lo», acrescentou Clark. O ministro disse que o supercomputador colocaria o Reino Unido na vanguarda da ciência do tempo e do clima.
 



De acordo com o Met Office, as novas previsões trarão benefícios socioeconómicos, prevendo inundações, antecipando adiamento e cancelamento de voos e aumentará a segurança para investimentos em energias.


Tim Palmer, um físico do clima na Universidade de Oxford, também disse que o anúncio era «uma notícia muito emocionante» e enfatizou a necessidade de haver computadores cada vez mais eficientes.

«Ao contrário de outras áreas da ciência, nesta não se podem fazer experiências de laboratório», explicou Tim à BBC. «Nós só podemos fazer duas coisas: esperar e ver o que acontece, ou tentar simulá-lo dentro de um computador.»

Isto significa, explicou Palmer, «máquinas fantasticamente complexas», como o XC40 e tudo o que vier a seguir. «Este é o início de um investimento importante, mas não será, de nenhuma maneira, o ponto final.»

 


Piers Forster, professor da mudança climática na Universidade de Leeds, disse que o aumento do poder deve «melhorar drasticamente a compreensão das condições meteorológicas extremas e mudanças climáticas».